sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TOMO MMLXXIX - CONSOLOS BOLZOMININS


MUNDO TENDENCIOSO

O mundo amanhece,

Com o "xerife" do mundo,

Se dizendo "xerife",

Mas, não xerife da legalidade,

Ops, até pode ser,

Já, que quem faz a legalidade,

É o capetal, o capetal,

Para ser a legalidade,

Primeiro, sequestrou a fé.


A fé do povo foi sequestrada,

Faz tempo, o mundo mudou.

A geratriz imperial, saiu,

Saiu de Roma, passou por Londres,

Foi a Paris, virou ibérica,

Paris e Londres, hoje ianque.

De onde o xerife corrompe.


Corrompe, a Latino-America,

Doma a Europa,

Financia um ator para a guerra.

Do outro lado da guerra do ator.

A única potência bélica.

Capaz de questionar o império.


Anesino Sandice

Treze anos antes: a senha do golpismo

Treze anos antes, em São Paulo, um alcaide direitista decidiu “atrasar” o aumento das tarifas de ônibus. O gesto, aparentemente banal, tornou-se senha para a sanha dos golpistas.

Mas o terreno já estava sendo preparado. Um juizeco, aliado a um procurador de justiça, começava a mostrar suas “manguinhas de fora”. Sem a força da mérdia, seriam apenas personagens de uma ópera bufa. Com a caixa de ressonância da imprensa, porém, alcançaram o apogeu das idiotices — leia-se: golpismo.

Para que esse apogeu florescesse, era preciso outro emissor de “burrice”: as igrejas neopentecostais. Enriquecendo às custas de dízimos, prática que, pela ótica cristã, é anti-bíblica, tornaram-se pilares do movimento pela “burrice liberada”.

Na esteira da pujante mérdia golpista, surgiu uma estranha “facada”, perfeita para um boom midiático. Antes disso, o juizeco e o procurador já haviam “sequestrado” o candidato favorito às eleições de 2018. O cenário estava aberto para um verdadeiro burrice volver.

Obscurantismo eleito, coerência derrotada

A eleição foi vencida pelo obscurantismo — ou, com o mesmo peso, perdida pela coerência. O que se viu depois foi um festival de bandeiras estrangeiras tremulando até em datas pátrias. Bandeiras de um país que, curiosamente, executou Cristo, em manifestações que se diziam cristãs.

A independência das funções do Estado foi corroída por “vômitos” de normalidade: interferências na Polícia Federal, culminando na demissão do super-ministro — o mesmo juizeco da prisão fabricada.

Para que haja absurdos no andar de cima, o andar de baixo precisa estar mergulhado num mar de idiotices.

O deus-mercado e a inquisição reinventada

Nesse cenário, a inflação em queda parecia assustar, a bolsa em alta era vendida como se o assalariado “jogasse” nela, e o dólar, volátil, seguia à mercê das ansiedades do deus-mercado. Tudo isso replicado em cada celular, mesmo entre aqueles que sequer sabem que economia significa “organização da casa”.

O festival de desinformação ganhou amplitude inimaginável: da mérdia colaborativa, passando por canais da internet, até os púlpitos das igrejas conservadoras — inclusive com padres católicos ícones.

Cenário pronto: justiça social transformada em crime, contra o qual se reinventaria uma nova inquisição. A honestidade, outrora ensinada pelos antepassados, agora se resumia a defender a posse de joias desviadas.

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