Poderíamos relatar alguns percalços da vida escolar, até mesmo inventar possíveis traumas. Mas, na verdade, nunca tive tempo para tais dramas: a curiosidade me levou muito mais vezes à biblioteca do que a qualquer divã de psicólogo.
E então chegamos ao título: “Da água de corredeira à manada”. Ainda que o gado-mor rotule seus seguidores como “gado”, há uma certa lógica nisso. Parece ser proibido pensar — tal qual na escola primária das lembranças. Quem ousa, quem se destaca na dianteira, está sujeito a uma “bibienação”: pode vir a óbito em um estranho infarto ou sofrer uma morte apenas política. Exemplos não faltam — Julian Lemos, Hasselmann…
A IMPERCEPTÍVEL DISTÂNCIA
ENTRE O "TRUCE" PARA O TROUXE
Tá, volto àquilo, que minha amiga,
Professora Silvia, classifica,
Como peculiares lembranças afetivas,
"Em muitos casos" nada afetivas assim,
Algumas, escolares, logo,
Beliscões e croques, na cabeça.
Só tema, senhor Sandice, ops,
O Sandice, é de quatro décadas após,
Então, Adão, mesmo, ah, sem favor,
O favor, desta época, era só de falar,
Nunca de ouvir.
Vamos ao caso Adão, outra vez ops,
Ouvir meu nome soava estranho,
Na escola, associada ao bullying,
Ah, nem sabia se tal palavra existia.
De 1954, início da fala,
Até meados do ano 1960,
Sempre falei e ouvi, "truce",
Com a maior naturalidade.
Nos primeiros anos de escola,
Não lembro de correções,
Nem em casa, pais analfabetos,
Quatro irmãs mais velhas,
Pouco diálogo prático.
Cartilha "CAMINHO SUAVE"
Lição da abelha, que fazia mel,
Depois de um bebê, que tinha uma barriga,
Lá na lição do gato, lições de casa,
Sempre feitas na sala, casa,
Sinônimo de bola e rua.
Foi exatamente na lição do gato,
Que ousei virar a página da cartilha,
Cheguei aos cinco valores da Letra: "G",
Foi aí que o "truce" sumiu da minha vida
Anesino Sandice

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