EVOLUÇÃO & OS PORTAIS
Evoluímos,
De duas metades de célula,
Para milhões de células.
De, nem microscópio, para,
Um gigante, aos nossos próprios olhos.
Tá, valha-me, de tenras lembranças,
De como via meu pai,
Num berço improvisado,
Olhando para o gigante "1,78 m.",
Que parecia hipnotizado,
Olhando para dentro deste berço.
A evolução, do tamanho,
Esconde umas outras evoluções.
Das brincadeiras de criança,
Que fabrica um cérebro adulto.
A questão, é o tamanho do crescimento,
questão, é o tamanho da evolução,
A humanidade, reluta em sair da barbárie,
Quando, prestes a sair,
Aparece um portal.
Há, é claro, portais de luz,
Quais, as trevas, cooptam,
Ou criminalizam).
Santo Semfé
Às vezes, sinto como se fosse obrigado a entrar num coro uníssono, mesmo que não diretamente. Um coro onde abutres — aqueles mesmos que na natureza se alimentam de restos — se banqueteariam com os restos cadavéricos de uma inteligência humana que poderia ter sido. Escrevo no passado porque essa possibilidade foi sufocada, esmagada pelas religiões.
Não vou citar a Bíblia diretamente, mas confesso que, enquanto meus dedos tocam o teclado, muitas passagens e imagens dela borbulham na minha mente.
Venho de uma família católica, fui batizado e crismado, mas recusei a primeira comunhão porque já sabia ler. Não consigo ver paralelo entre o Cristo das religiões cristãs e o que realmente importa.
Minha atenção está na essência dos ritos das missas católicas, que giram em torno de três leituras do evangelho, momentos sublimes e fundamentais.
A primeira leitura tenta manter viva a necessidade da existência de um Cristo, mas é o Velho Testamento que sustenta essa necessidade. Como historiador e amante da história, reconheço que esse culto merece ser exaltado, mas com olhos críticos. O Velho Testamento não é algo para ser cultuado, e sim superado.
A segunda leitura é uma carta do apóstolo Paulo — ou Saulo, antes de sua conversão. Ele simboliza a dominação das elites sobre o povo, trazendo à tona coisas que não existiam no Velho Testamento, como a homofobia, que só surgiu com as vivências dos exércitos. O ponto crucial de Paulo é a submissão do novo ao velho testamento.
A terceira leitura traz os ensinamentos de Cristo, mas será que ele é realmente lido? Ele é interpretado de forma temporal e ritualística, preso às outras duas leituras, sem vida própria, como algo distante, purificado no tempo, mas ainda preso ao passado.
Essa mistura controversa está na base de muitas das nossas guerras. A superação — e a paz — só serão possíveis quando tivermos a capacidade de enxergar toda essa trama.
Não estou tentando converter ateus ou agnósticos, mas proponho que compreendam que, sem essa compreensão, é impossível entender o tamanho do buraco em que a humanidade caiu. Sem isso, não haverá paz possível.

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