sábado, 17 de janeiro de 2026

TOMO MMXCIII - E QUANDO O CHORORÔ DÁ RESULTADO?


Não tenho vocação para Jó, tampouco me vejo no papel de Alexandre de Moraes — o “Xandão” — cuja coragem admiro, especialmente na defesa da chamada democracia burguesa. Mas é justamente por se tratar dessa democracia limitada, que nossas posições se opõem.

Logo após o segundo turno da última eleição presidencial, o ex-presidente — outrora autoproclamado machão e eterno aspirante a ditador — revelou sua vocação monárquica ao tentar inaugurar a dinastia dos “Bozos”. A mão-de-ferro que o caracterizou ficou evidente nas homenagens a torturadores e nas distorções do artigo 142 da Constituição, transformado em narrativa golpista.

Talvez seus seguidores — os bolzominions — não tenham percebido, mas era transparente: havia uma tentativa de golpe em curso. E não qualquer golpe. Era o golpe de um “isentão” que, se bem-sucedido, retornaria de um autoexílio forjado na covardia. Um personagem com histórico militar marcado por expulsão por insubordinação, que já ameaçou explodir bombas, mas nunca apoiou greves de trabalhadores.

Para sua família e círculo íntimo, tudo. Para o povo, a fila do osso. Mas quando chega o período pré-eleitoral, as teses do Estado mínimo e da austeridade administrativa desaparecem como mágica.

Voltemos à tentativa de golpe. O golpista-mor fugiu, mas deixou para trás milhares de cúmplices — muitos deles não apenas bolzominions, mas verdadeiros bozolóides: servidores públicos, herdeiros de privilégios como pensões para filhas de militares, solteiras no papel, mas com vida conjugal ativa.

Hipocrisia institucionalizada.

Vieram as investigações, os inquéritos, as denúncias, os processos. E com eles, o chororô: todos se dizendo vítimas de perseguição, inclusive delegados da Polícia Federal e um magistrado do Supremo Tribunal Federal.

Um ano após o lamentável 8 de janeiro de 2023, os julgamentos começaram. Os envolvidos nunca se viram como golpistas, pois o líder da tentativa sonha com a fundação de uma dinastia. Se ele se considera soberano, então — segundo sua lógica — não houve golpe, mas exercício de um direito inalienável.

Só que não.

O que houve foi, sim, uma tentativa de golpe. E agora, com processos, condenações e penas sendo cumpridas, o machismo de ocasião desaparece. O pedido por prisão domiciliar se materializa como um súbito envelhecimento político — e, para alguns, como uma longa estadia de até 27 anos na Papuda.

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