| O DEUS TABAJARA E A UNIVERSIDADE DO ZAP-ZAP |
Durante as caminhadas promovidas por figuras como o fakenicolás, o trovão é interpretado por muitos como um sinal divino — um deus que testa seus fiéis, colocando à prova sua resiliência.
Essa leitura nos remete ao “deus tabajara” da libertação dos judeus no Egito, cujos planos lembram os infalíveis esquemas do Cebolinha. Quem não crê é rotulado como fariseu. Mas quando os fariseus são bolzominins, os sinais se embaralham e os erros são atribuídos ao próprio deus tabajara, que nunca deixa claro seus desígnios.
No Egito, esse deus não pretendia exterminar um povo alheio, mas enviou pragas — gafanhotos, mortes de primogênitos — e abriu o mar para libertar os seus. Jó, Noé, o dilúvio… tudo são sinais trocados.
Chegamos ao século XXI. Os egípcios modernos são os bolzominins, formados nas universidades de sociologia plena e teologia do zap-zap. Cultuam a cruz, mas ignoram que o filho de seu deus foi torturado e executado. Paradoxalmente, idolatram defensores da tortura e até torturadores. Quando enfrentam consequências legais, não reconhecem erros: a culpa é do deus tabajara.
Concordo — talvez o erro tenha sido mesmo desse deus, que não promoveu um aborto intrauterino para nos poupar das tragédias bíblicas, da escravidão abençoada pela igreja mercantilista, e do desgoverno recente.
Afinal, os bolzominins, com sua sólida formação na universidade do zap-zap, nunca erram.
FÉS
Minhas raízes indígenas,
Fala de pira, "fogo"
Vindas dos céus,
Como trovão,
Mandado por Tupã,
A pira que queima,
Que clareia e faz a vida,
Falando em queima,
Do medo de queimar,
Falando de sincretismo,
Minha parte afro,
Calmaria por Iansã,
Sincretismo, "Santa Barbara".
Cheguei por final à bíblia,
Lá, a cultuada paciência de Jó.
Jó, na versão bíblica,
Aguardou pelo perdão,
Por nudez e embriaguez.
Ressalta-se, apenas a paciência,
Esquece-se a razão.
Santo Semfé
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