terça-feira, 20 de janeiro de 2026

TOMO MMXCVI - OS MESMOS VELHOS INIMIGOS

 


QUANDO O PRIVILÉGIO DÓI 

Observo, apenas observo,

Uma multidão de alienados,

Que vivem, um ostracismo de si,

E exatamente por estarem longe de si,

Nos afasta de nós.


Esta distância de nós, 

É, ao mesmo tempo, uma morfina,

Que anestesia todas as dores,

Que ao mesmo tempo faz doer,

De uma dor infunda,

O simples fato de lembrar.


Ter lembranças, "individuais",

Um privilégio, fazer destas lembranças,

Um caminho seguro, para o aprendizado,

Uma dádiva, criar, ou só tentar,

Criar, a partir desta dádiva,

Um ritual de ensinamentos, uma obrigação.


Mas, quando a fé vira doping,

E como doping, dominação.


E, é justamente a abstinência,

De um doping, nem sequer inciado,

Ou seja, não há esta tal dependência,

Que possa vir a criar a abstinência.


Ainda assim, é insuportável a dor.


Esta insuportável dor da consciência.

Dói, exatamente por saber de uma sacra manipulação.


Santo Semfé

Entre dez irmãos, apenas eu me colocava contra a ditadura. Alguns, por matrimônio; outros, por militância religiosa, só descobriram sua existência quando ela já havia, teoricamente, terminado.

Curiosamente, essa mesma militância religiosa levou alguns deles a admirar os feitos da ditadura. Afinal, para eles, perseguir comunistas era justificável, mesmo que esses comunistas lutassem por moradia digna e liberdade religiosa.

Cinco dos sete votaram no “bozo” no segundo turno de 2022, apesar da catástrofe de sua gestão e das visíveis tentativas de fraude eleitoral. Assim como há quem acredite que regimes socialistas perseguem a religião, há também religiosos intolerantes que se sentem no direito de serem intolerantes — esquecendo que o filho do Deus em que acreditam nunca deixou de ensinar a parábola do Bom Samaritano, registrada em Lucas.

Esse universo dos meus dez irmãos é apenas uma pequena amostra da sociedade brasileira, que por sua vez reflete a humanidade levada a crer nas visões que as elites desejam impor. Verdade ou não, pouco importa.

Não pretendo exaltar minha memória, mas provocar reações em quem lê esta crônica. Talvez um educador perceba que aqui há algo que se relaciona com a compreensão de texto. Nenhum dos meus cinco irmãos que votaram no “bozo” achou digna a fila do osso, mas, no dia da eleição, preferiram aceitá-la a correr o risco de ver alguém que paga aluguel em um barraco de favela perder seu lar. Já os dois que anularam seus votos o fizeram convictos de que não há diferença entre as propostas da esquerda e da direita.

Saber pode ser doloroso.


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