sábado, 18 de abril de 2026

TOMO MMCLXXXVI AS DORES, QUAIS, NINGUÉM RECLAMA


O gado chora. Chora não pela fome, mas pela perda de um poder imaginário. Chora por ter acreditado que acampar diante de quartéis era um ato de heroísmo, quando na verdade era apenas submissão. A democracia, para eles, virou sinônimo de censura; a liberdade, de espalhar mentiras.

Os “bolzominiuns” — como o autor ironiza — vivem presos a uma bolha onde pensar é proibido. Defendem privatizações que os empobrecem, guerras que não lhes dizem respeito e líderes que os traem. São como o gado que segue feliz para o matadouro, acreditando que o abate é salvação.

A lógica é cruel: quanto mais sofrem, mais defendem quem os faz sofrer. A economia melhora, mas eles clamam pelo caos. O combustível sobe, e eles culpam quem tenta controlar o preço. A burrice, aqui, não é ofensa — é diagnóstico social.

O autor observa com sarcasmo e dor: o mesmo povo que pede intervenção militar é o que esquece que, na ditadura, bastava passar perto de um quartel para ser humilhado. A história se repete, mas agora com memes e zap-zap.

O choro do gado é o choro da alienação. E o silêncio das ruas é o eco de uma nação que ainda não aprendeu a reclamar das dores certas — as da exploração, da desigualdade, da manipulação.

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