terça-feira, 7 de abril de 2026

TOMO MMCLXXIII SIPNOSE


Seis Meses para Saber se Ainda Somos Nação

Faltam seis meses para uma nova eleição geral no Brasil. Vinte e quatro anos atrás, numa eleição presidencial que nos fez acreditar que éramos uma nação, descobrimos também que nossas elites nunca tiveram um projeto de país.

Naquele tempo, o Brasil acordava todos os dias para consumir o enlatado cultural ianque — o “supra-sumo” da única cultura possível. O roteiro era teatral e circense: o Nordeste seguia sendo caminho de mão única. Quem ali vivia, padecia por amor à terra ou fugia rumo ao Sudeste.

Não havia outro enredo. E quando o século virou, as velhas mentiras ganharam figurinos novos.

A mérdia submissa, a justiça branca e os CNPJs da fé — todos parte do mesmo espetáculo — vendiam ingressos para o show em que ríamos de nós mesmos, rindo das próprias desgraças, como se estivéssemos condenados a elas.

Poderíamos repassar cada eleição desde então: quando os entreguistas perderam, veio o golpe de 2016; quando perderam de novo, veio a farsa-jato. Além de arrancar o sonho do palco, arrancaram também a esperança de futuro. Entregaram o pré-sal e, de brinde, endeusaram o nazi-projeto — uma volta à caverna de Platão, onde a sombra virou verdade.

Agora, na eleição presidencial deste ano, há dois projetos em disputa.

De um lado, o herdeiro do projeto endeusado, apoiado pelos eternos defensores do caos: a mérdia colonialista, a burguesia submissa e a igreja que teme a liberdade dos fiéis.

Do outro, a tentativa de reconstruir o país como país — não como colônia.

No campo parlamentar, os entreguistas nunca perderam de fato o comando. Mesmo diante da possibilidade de derrota, continuam ditando as regras.

Por isso, nesta eleição, não podemos apenas vencer — precisamos vencer de muito. Porque o que está em jogo não é um governo. É a possibilidade de o Brasil voltar a ser uma nação.



"ME ILUDAM


Pago, afinal a vida é um circo,

No picadeiro, o espelho de mim.


Penso que é uma comédia,

Enquanto, o espelho de mim,

Ri, de hilárias piadas, onde,

Preconceituosamente, sou ridícularizado.


Não é uma sipnose teatral qualquer?


É a realidade de uma vida real.


Aprendo, nesta circense realidade,

Que de maneira engraçada,

Carrego pedras, ah, de morro acima,

Só, para alegrar a platéia,

Ah, a platéia sou eu,

Ah, a platéia são meus iguais,

Ah, as plateias passadas,

Que transmitiram o roteiro,

Aprendi o texto/roteiro,

Mas, não, não num banquete de Platão,

Mas, sou o misto: "ator/platéia",

Só, não sei a diferença,

Assim, repasso a sina.


Meu filho, meu neto, condenados,

Seguiram a sina.


Anesino Sandice".



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