Seis Meses para Saber se Ainda Somos Nação
Faltam seis meses para uma nova eleição geral no Brasil. Vinte e quatro anos atrás, numa eleição presidencial que nos fez acreditar que éramos uma nação, descobrimos também que nossas elites nunca tiveram um projeto de país.
Naquele tempo, o Brasil acordava todos os dias para consumir o enlatado cultural ianque — o “supra-sumo” da única cultura possível. O roteiro era teatral e circense: o Nordeste seguia sendo caminho de mão única. Quem ali vivia, padecia por amor à terra ou fugia rumo ao Sudeste.
Não havia outro enredo. E quando o século virou, as velhas mentiras ganharam figurinos novos.
A mérdia submissa, a justiça branca e os CNPJs da fé — todos parte do mesmo espetáculo — vendiam ingressos para o show em que ríamos de nós mesmos, rindo das próprias desgraças, como se estivéssemos condenados a elas.
Poderíamos repassar cada eleição desde então: quando os entreguistas perderam, veio o golpe de 2016; quando perderam de novo, veio a farsa-jato. Além de arrancar o sonho do palco, arrancaram também a esperança de futuro. Entregaram o pré-sal e, de brinde, endeusaram o nazi-projeto — uma volta à caverna de Platão, onde a sombra virou verdade.
Agora, na eleição presidencial deste ano, há dois projetos em disputa.
De um lado, o herdeiro do projeto endeusado, apoiado pelos eternos defensores do caos: a mérdia colonialista, a burguesia submissa e a igreja que teme a liberdade dos fiéis.
Do outro, a tentativa de reconstruir o país como país — não como colônia.
No campo parlamentar, os entreguistas nunca perderam de fato o comando. Mesmo diante da possibilidade de derrota, continuam ditando as regras.
Por isso, nesta eleição, não podemos apenas vencer — precisamos vencer de muito. Porque o que está em jogo não é um governo. É a possibilidade de o Brasil voltar a ser uma nação.
"ME ILUDAM
Pago, afinal a vida é um circo,
No picadeiro, o espelho de mim.
Penso que é uma comédia,
Enquanto, o espelho de mim,
Ri, de hilárias piadas, onde,
Preconceituosamente, sou ridícularizado.
Não é uma sipnose teatral qualquer?
É a realidade de uma vida real.
Aprendo, nesta circense realidade,
Que de maneira engraçada,
Carrego pedras, ah, de morro acima,
Só, para alegrar a platéia,
Ah, a platéia sou eu,
Ah, a platéia são meus iguais,
Ah, as plateias passadas,
Que transmitiram o roteiro,
Aprendi o texto/roteiro,
Mas, não, não num banquete de Platão,
Mas, sou o misto: "ator/platéia",
Só, não sei a diferença,
Assim, repasso a sina.
Meu filho, meu neto, condenados,
Seguiram a sina.
Anesino Sandice".

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