Quando tentamos entender certas tolices — sobretudo as políticas — percebemos como elas seduzem muitos religiosos que se dizem cristãos, mas defendem ideias contrárias a tudo o que Cristo pregou.
Entre as razões que nos trouxeram até aqui, está o desprezo por avanços de outras civilizações, como a árabe. Foi a cegueira cristã, movida também pela busca de lucro, que empurrou a humanidade às grandes navegações. E, nesse processo, ignorou-se por quase dois mil anos os cálculos de Eratóstenes, que no século III a.C. já havia medido a circunferência da Terra com precisão surpreendente.
O que mudou no mundo — e para pior — foi o domínio da fé sobre a ciência.
Minha curiosidade me leva além da antropologia, para a linguística. E penso: depois de Eratóstenes, que com um cajado e a sombra do sol calculou a curvatura do planeta, o que aconteceu entre o século III a.C. e o século XV d.C.? Basicamente, a fé sufocou o conhecimento. A história ensinada nos livros escolares ainda insiste em pintar o auge da humanidade pela ótica religiosa, apagando o fato de que o mundo árabe já dominava saberes que foram simplesmente ignorados.
No século XV, surge a prensa de Gutenberg. Ela poderia ter universalizado o conhecimento, mas não foi isso que aconteceu. Os mesmos medos e dogmas que enterraram saberes antigos impediram que a informação se espalhasse livremente.
E assim, mesmo depois das grandes navegações, a Terra voltou a ser considerada plana. O retrocesso não parou aí: até descobertas como a microbiologia de Pasteur foram sufocadas por preconceitos e crenças.
Hoje, enquanto a humanidade envia missões à Lua, ainda travamos guerras. Não mais apenas por ganância econômica, como aprendi na escola, mas também por puro ego — guerras que parecem nascer da vaidade de líderes megalomaníacos.
Confesso que sei pouco de linguística, mas sei o suficiente para entender que sem leitura não há compreensão. E sem compreensão, a humanidade continua presa a interpretações literais de textos escritos em tempos em que a ciência era mínima. Não havia internet, nem arquivos digitais.
E mesmo agora, com acesso a todo tipo de informação, uma parte enorme da humanidade insiste em defender o criacionismo. Essa teoria, além de absurda, alimenta ideias supremacistas e o culto a personalidades que prometem guerras e retrocessos.
No fundo, não é preciso ser especialista para perceber: quando a fé sufoca a ciência, o mundo volta a andar para trás.

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