Na eterna fábula da extrema direita, há sempre uma narrativa. E, como toda narrativa, ela se constrói sobre absurdos que lembram as justificativas de quem lê a Bíblia e insiste em enxergar um Cristo conservador — tão distante daquele Cristo que pregava liberdade e compaixão.
A bola da vez é a prisão de Ramagem. E, claro, surgem as explicações tortuosas, as versões desexplicativas, como se fossem parábolas mal contadas. Tenho duas leituras: uma analítica e outra, digamos, especulativa.
Comecemos pela especulação. Imaginem só: o “império do mal” resolve respeitar a soberania das nações. Acordo de paz, fim das guerras, nada de invasão à Venezuela, nem tarifas ilegais contra Cuba. Parece piada, não? Pois é, tão ridícula quanto a defesa da honestidade dos milicianos — e, por extensão, dos bozos e seus fiéis bozolóides. Nessa mesma lógica, surgem as convicções de culpa de Lula, como se fossem dogmas.
Minha ânsia por narrativas explode. Perguntei a um paranaense “de direita”, claro, se ele sabia em qual lua da Terra Média — sim, aquela das películas de magias e hobbits — o marreco teria escondido as provas da condenação de Lula. Queria saber se eu teria acesso a elas antes da extinção do planeta. Afinal, para essa turma, só o “grande irmão do norte” tem sabedoria e direito de possuir armas atômicas.
Na visão deles, o BRICS é uma ameaça. Lula, ao criar o bloco com Rússia e China, teria aberto caminho para que Irã, Palestina, Cuba e até o Brasil recebessem bombas nucleares. E, claro, os comunistas do PT desafiariam a “terra da liberdade”, que, segundo eles, recebeu de Deus — ou melhor, de Trump — o direito divino de mandar no mundo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário