quarta-feira, 15 de abril de 2026

TOMO MMCLXXXII A ETERNA DISCUSSÃO MERCADOLÓGICA "PREÇO DO VOTO"!


A eterna discussão mercadológica: “O preço do voto”

Antes de tudo, é preciso um alerta: vender o voto é crime. Portanto, falar em “preço” do voto seria, por extensão, também um crime. Mas o que me interessa aqui não é o valor monetário — e sim a sedução, as táticas sórdidas que fazem o povo pobre continuar pobre, acreditando que está exercendo sua cidadania, quando na verdade apenas perpetua a miséria em nome de uma falsa promessa divina. Um deus de todos, dizem. Mas, na prática, um deus de poucos.

Essa tática é antiga, quase antropológica. Está entranhada em nosso imaginário desde o útero — ou melhor, desde os úteros que geraram nossos avós. Com o tempo, foi modernizada, adaptada, disfarçada. Apesar da ilegalidade, há quem se eleja repetidamente mesmo sendo acusado de manter trabalhadores em condições “análogas à escravidão”. E, claro, sempre reivindicam a presunção de inocência — pedra basilar da democracia. Concordamos. Mas onde está essa mesma presunção quando a polícia aborda um preto pobre em qualquer esquina de qualquer cidade? A aparência vira sentença. E o tal deus único, que deveria ser de todos, revela-se o deus dos privilegiados.

É nesse ponto que o processo mercadológico do voto se concretiza. A estrutura que o sustenta nasce da invisibilidade de sempre. Os defensores da “presunção de inocência” são os mesmos que justificam a seletividade policial. Nos bairros nobres, há respeito às leis e ao Estado de Direito; nas periferias, o verdadeiro rosto da democracia burguesa se mostra. Enquanto o pobre — sobretudo o negro — é imolado diante das câmeras da grande mérdia, os desvios de dinheiro público dormem por anos em gavetas judiciais, mofando até o crime caducar. E, quando convém, a mesma mérdia finge não ver.

Assim, pela força da classe dominante e pela subserviência dos excluídos, o deus dos ricos continuará guiando o voto dos pobres. Na democracia burguesa, revolução é impossível. Quem ousa discordar é rotulado de comunista — um rótulo conveniente, usado para proteger as bondades do deus do dinheiro, travestido de deus da Bíblia.

Mas esse deus, sabemos bem, é apenas o deus dos homens que o possuem. 

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