segunda-feira, 6 de abril de 2026

TOMO MMCLXXI A DITADURA DAS MINORIAS, NO ALMOÇO DE PÁSCOA


 As Ditaduras Invisíveis

Claro, o tema principal não é exatamente esse, mas passa por ele. Antes de chegarmos à discussão maior, há uma outra ditadura — a de uma minoria bem diferente das que costumam dominar os almoços familiares e tornar qualquer conversa indigesta. Falo dos bolsonaristas ambientais, aqueles seres abjetos que acham que esquina é lugar de descarte de tudo o que não serve mais. Quando confrontados, ameaçam, riscam carros e se comportam como donos da rua.

E o Estado mínimo que eles defendem esbarra nas próprias “minimalices”: as forças de segurança que deveriam coibir essas agressões simplesmente somem. As polícias ambientais, tanto estadual quanto municipal, em São Paulo, parecem ter evaporado.

Curioso como essas forças aparecem rápido demais quando o alvo é um pobre, preto e periférico com um “bagulho” na mão — mas desaparecem quando o “bagulho” vira trinta e nove quilos num avião presidencial ou quatrocentos e cinquenta num helicóptero. A diferença entre segurança e repressão é só uma questão de GPS.

Mas há outras ditaduras, menos óbvias. Uma delas é a ditadura dos “não como isso”. Em nome da harmonia familiar, cedemos. A feijoada, prato que não se faz para pouca gente, é descartada porque alguém não come carne, ou cebola, ou feijão. É uma ditadura silenciosa, da qual nem nos damos conta.

E então chegamos à grande ditadura — tão abjeta quanto a dos bolsonaristas ambientais: a democracia burguesa. Essa minoria vende o discurso falacioso da igualdade de oportunidades, embalado pela meritocracia. Segundo eles, se sou pobre, é porque não tenho talento para os negócios; se minha família não ascende socialmente, é culpa nossa.

Das falácias à manipulação das opiniões, o passo é curto e quase imperceptível. Essa manipulação ultrapassa o campo da cultura — que é conjuntural — e mergulha no caráter antropológico, estrutural e estruturante. Assim, as classes desfavorecidas acabam defendendo cegamente as cegueiras que as mantêm afastadas dos benefícios do sistema.

A primeira ditadura é fácil de identificar: é abjeta. A segunda, aceitamos de bom grado. Já a última, parece inquestionável. Mas não deveria ser.

Essa versão mantém o tom provocativo e irônico do original, mas organiza melhor as ideias e dá ritmo mais natural à leitura — como uma conversa crítica e lúcida sobre as pequenas e grandes ditaduras do cotidiano.

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