segunda-feira, 13 de abril de 2026

TOMO MMCLXXIX QUEM QUER?


O "chocolateiro" e a lógica da extrema direita

Há quem preveja o declínio de um ex-integrante do bolsonarismo — um “bozolóide”, como se convencionou chamar aqueles que ocuparam cargos e se alinharam ideologicamente ao projeto da extrema direita. Esse ex-deputado federal não era um mero espectador: tinha convicções explícitas de direita e chegou a exercer liderança, até que sua trajetória política foi interrompida. Não se reelegeu, e em entrevista concedida a um canal no YouTube, afirmou categoricamente que o chamado “bozo 01”, também conhecido como “o chocolateiro” ou “o homem da rachadinha”, não resistiria sequer três meses de pré-campanha. Não de campanha, mas de pré-campanha.

O histórico reforça essa percepção: em um debate para a prefeitura do Rio de Janeiro, o “chocolateiro” demonstrou fragilidade política e intelectual. Se já se desestabilizou em um embate municipal, é difícil imaginar sua performance diante de figuras experientes como Lula.

Mas a questão central não é apenas a fragilidade do “chocolateiro” ou o arrependimento de ex-bolsonaristas. O verdadeiro problema é mais profundo: como, em pleno século XXI, ainda existem milhões de pessoas que se identificam com a extrema direita? Se já seria inadmissível que um único indivíduo se declarasse direitista, o que dizer de cinquenta milhões?

A resposta, infelizmente, é clara. A extrema direita existe porque há quem lucre com ela — e muito. Não se trata apenas de ganância econômica, mas da soma dessa ganância com uma cegueira religiosa. Uma cegueira que distorce ensinamentos originalmente voltados para a evolução humanística e os transforma em instrumento de submissão.

A extrema direita é, em essência, a negação do humanismo. Não nos preocupa o destino político do “chocolateiro”, mas sim o atraso intelectual de quem se deixa seduzir por essa ideologia. Muitos são pessoas de boa índole, mas estão hipnotizadas por líderes que lucram com negócios legais, ilegais ou simplesmente imorais — como a exploração da fé. Ao vender uma fé capenga, vendem também submissão: submissão ao modelo econômico, submissão política e, no caso da eleição do “chocolateiro”, a submissão do Brasil a uma condição colonial.

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