Após a decisão do Equador de impor tarifas de 100% sobre os produtos colombianos, a resposta de Gustavo Petro foi categórica: "Isso é simplesmente monstruoso, mas significa o fim do Pacto Andino para a Colômbia. Não podemos mais fazer nada lá", e retaliou impondo uma tarifa de 100% sobre as importações do Equador, informou o Ministério do Comércio equatoriano.
Enquanto isso, em Quito, os mesmos líderes empresariais que apoiaram o presidente Daniel Noboa em todas as suas medidas econômicas e acordos com o FMI agora exigem uma solução urgente para um problema comercial que pode resultar em milhares de demissões e perdas de quase 500 milhões de dólares este ano.
Tudo começou em 21 de janeiro, quando Noboa anunciou, durante o Fórum de Davos, um imposto de segurança de 30% sobre produtos colombianos, argumentando que o Equador deveria arcar com os altos custos do controle de fronteiras devido à falta de reciprocidade por parte da Colômbia. Algumas respostas se seguiram por parte de Bogotá, como a suspensão da venda de energia elétrica para o Equador, o que levou a apagões inesperados para os equatorianos nos últimos dias. Em 26 de fevereiro, Quito anunciou um aumento do imposto para 50%. Nessa altura, líderes empresariais já alertavam que a situação causaria uma contração ainda maior na cadeia produtiva das empresas equatorianas devido ao aumento do custo das matérias-primas provenientes do país vizinho.
O gatilho para o atual aumento de 100% – em vigor desde 1º de maio – foi a reação de Noboa a uma mensagem de Petro sobre a saúde do ex-vice-presidente Jorge Glas (cidadão colombiano naturalizado), na qual ele exigia a libertação de Glas, considerando-o um prisioneiro político. O embaixador equatoriano em Bogotá foi imediatamente convocado para consultas na quarta-feira passada, e as novas tarifas foram finalizadas no dia seguinte.
Segundo o Comitê Empresarial Equatoriano, existe uma enorme “preocupação com a segurança nacional”, e reitera sua “posição firme quanto aos efeitos que essa medida terá sobre o comércio já reduzido entre as duas nações e sobre a sustentabilidade da Comunidade Andina”. O comitê também apela aos dois líderes para que “se engajem em um diálogo urgente como única solução”. Seus homólogos na Colômbia, por meio de líderes empresariais, expressaram sentimentos semelhantes.
Com isso, a mudança estratégica de Petro aponta para uma alteração de rumo em relação ao Mercosul, que ele considera uma ruptura nas relações comerciais. Na sequência, ele deu instruções claras ao seu gabinete para reorientar a política externa e comercial. "O Ministro das Relações Exteriores deve iniciar o processo de adesão plena ao Mercosul e avançar com mais força em direção ao Caribe e à América Central", enfatizou em sua conta nas redes sociais. Isso reforça o que ele já havia declarado durante uma sessão da CELAC em Bogotá, onde expressou o interesse da Colômbia em obter a adesão plena ao Mercado Comum do Sul.
Antes de atingir 100%, a taxa anterior de 30% já havia causado uma redução de 66,8% nas importações equatorianas da Colômbia em fevereiro de 2026. E, pela primeira vez em 25 anos, a balança comercial favorece o Equador (62,9 milhões de dólares nos dois primeiros meses de 2026) devido ao colapso das compras do país vizinho.
Mas no debate político, a decisão de Noboa é apenas uma extensão da política dos EUA contra Petro, em plena campanha eleitoral presidencial, já que em sua mensagem nas redes sociais, o presidente equatoriano alertou: "No futuro, será possível conversar com um governo comprometido com o combate ao crime e ao narcotráfico."
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