Do lado de cá do rio do dinheiro, a maionese do fim de semana nunca é da melhor marca — é sempre a possível.
Assim, a parte pobre do planeta vive proibida até de desenvolver o paladar. Se fosse uma questão biológica, diríamos que nos negam o direito de amadurecer as papilas gustativas, de sentir o sabor da vida. Proíbem o que é nato ao ser humano, e a maioria nem imagina o que está sendo negado.
Pode parecer radical, mas é isso mesmo: nos vetam o desenvolvimento de uma identidade cultural. E esse veto só existe porque há outros vetos — o veto ao saber natural, à curiosidade, à língua. Sem dominar a língua, não aprendemos a domar o mundo.
Eles dizem que nosso lazer é ócio, e que o ócio é “a oficina do capeta”. Mas o capeta deles, na verdade, é a nossa existência.
O fim da “escala 6x1”, que vendem como progresso, é só mais uma ilusão. Vendem para as parcelas da população que orbitam as zonas de interesse do capital — orbitam, mas nunca tocam o centro. Nessa lógica, não há descoberta de Newton; o espectro gravitacional aqui é invenção do século XVII, o Cristo conservador.
As igrejas, sozinhas, não conseguiriam apagar a luz do saber. Então entram em cena outros púlpitos — os sem dízimo, mas que custam muito mais que os 10%. São os programas jornalísticos da burguesia, que pregam com a mesma eloquência dos pastores, só que com microfones dourados e discursos travestidos de verdade.
E assim seguimos, do lado de cá do rio, comendo a maionese possível, acreditando que o sabor da vida é o que nos vendem — enquanto do outro lado, o banquete é servido com talheres de prata e consciência anestesiada.
(Sou, eternamente flor,
Para quem diz que não come flor,
Olha, nem estamos falando daquela coisa "chiquetosa",
Uma salada de pétalas de rosas,
Estamos falando mesmo,
É que toda flor,
Não passa de um útero vegetal modificado.
Quando você come um abacate,
Quer numa vitamina,
Que sabe, como minha esposa gosta,
"Açúcar e leite em pó,
Ou igual a meu gosto,
Menos açúcar e suco de limão".
Talvez, a descoberta "mexicana",
Salada "salgada" vinagrete e azeite.
Assim, a laranja, a melancia,
A pequenina pitanga, a gigantesca jaca,
Tudo é fruto, tudo foi flor.
O feijão, o arroz, o milho,
Ah, o milho, um "fruto", cujo abelha,
Não chega para "germinar",
Os fios do cabelo une os dois gametas.
Masculino e feminino, esta é,
A mistura da vida.
No mamão "papaya,
Na uva da salada, banana.
Mas, se você gosta de morango,
Putz, antes de falar do morango,
Uma pergunta, você já comeu;
Caju, à milanesa, não como sobremesa,
Caju, à milanesa, não no suco,
Mas, como mistura no almoço.
Voltemos ao morango,
Morango não é flor,
Morango é uma enflorescência.
Nisinha Vamos

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