segunda-feira, 1 de junho de 2026

TOMO MMCCXXVIII ENTRE PERDAS E PERDAS

Confesso: não há registro cronológico fiel daquilo que chamamos de humanidade.
A Bíblia sugere seis mil anos de história — Adão teria vivido novecentos e trinta, e Noé, mil cento e cinquenta, tempo suficiente para construir uma arca e salvar o mundo da própria ruína.

Mas o tema aqui é perda.
Na criação do deus único, ganhamos o livre-arbítrio — ou, ao menos, a ilusão dele.
Seis mil anos depois, parece que o livre-arbítrio se resume à liberdade de pagar dízimo a um “pastor” que cobra por algo que não existe em nenhum versículo do Novo Testamento.
A cobrança do dízimo está em Isaías, antes mesmo do Gênesis cristão — uma prática anterior ao Estado, de caráter assistencialista, não espiritual.

Antes do neto de Davi se coroar rei de Israel, o dízimo fazia sentido: era partilha, não comércio da fé.
Hoje, tornou-se moeda de troca entre o medo e a promessa.

Há oitenta anos, o protestantismo desembarcou no Brasil trazendo na bagagem uma missão disfarçada — conter o olhar social que começava a brotar na Igreja Católica.
Mas ser evangélico não deveria significar ser conservador.
O profeta que inspirou a igreja pregava humanidade, não assistencialismo.

O problema está nos “pastores” que transformaram o púlpito em balcão.
Entre sermões e cifrões, dizem que miliciano é honesto, que banqueiro preso é patriota, e que o pangaré manco é símbolo de fé.
A fé virou espetáculo, e o livre-arbítrio, um produto.

Na ótica desses pregadores, o PCC e o CV são inimigos do “Tio Sam”, justificando até a ideia absurda de uma invasão estrangeira em nome da moral.
Mas o que realmente perdemos?
Perdemos o pensamento crítico, o comparativo do patriotismo, e o direito de escolher sem medo.
Perdemos o livre-arbítrio — não por imposição divina, mas por desistência humana.


PERDEÇÃO


Perdemos, a hora do trem,

Perdemos assim a viagem, 

Perdemos a hora trabalho, 

Perdemos a primeira aula,

Ah, se seu emprego era,

Numa fábrica de caçamba,

Ao perder a hora do trabalho, 

Perdia também o dia, 

"Um minuto" de trânsito parado,

Se fosse numa sexta-feira  

Voltava para casa"

Marmita na mochila, 

A roupa no armário".


Só havia uma troca, logo,

Achou ruim, por faltar o dia, 

Dia que impediram de entrar,

De presente, te davam um gancho. 


Gancho na segunda.


Assim dois domingos no mês. 


Assim, quem acionava o sindicato 

Ganhava o bilhete azul.


Confesso, o meu veio antes de organizar uma greve. 


Não que não tenha organizado. 


Anesino Sandice)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog