É sempre em nome de Deus.
Desde as civilizações antigas, o sagrado foi moeda de troca. O povo oferecia parte de seus víveres aos deuses, acreditando que o sacrifício traria proteção. Com o tempo, essa lógica se institucionalizou: o templo virou banco, o sacerdote virou cobrador, e a fé virou capital.
A antropologia explica: o ser humano busca no divino respostas para o que não compreende. Mas quando essa busca é manipulada, o resultado é a servidão espiritual. A Igreja — seja católica ou evangélica — transformou o medo em ferramenta de poder. O jejum do fiel sustenta o banquete do pastor.
O texto lembra que antes de Marx, já existia exploração disfarçada de fé. O mercantilismo apenas sofisticou o roubo: agora, o lucro vem com bênção. A escravidão, justificada teologicamente, foi o ápice dessa perversão — o corpo negro transformado em prova da “inferioridade” diante do Deus europeu.
A “vacina antirroubo” proposta pelo autor não é literal. É consciência. É o antídoto contra a fé cega que legitima a desigualdade. É o despertar de quem percebe que o verdadeiro Deus não cobra dízimo, não vende salvação, e não faz distinção entre pele, classe ou credo.
A cura está em enxergar que o sagrado não é propriedade de ninguém — e que a liberdade espiritual começa quando deixamos de pagar por ela.

Nenhum comentário:
Postar um comentário