Mais de 13 mil migrantes, incluindo brasileiros, que viviam legalmente nos Estados Unidos, aguardando a resolução de seus pedidos de asilo, de repente se viram diante de ordens de deportação para um "terceiro país", destinos com os quais a maioria não tinha nenhum vínculo, segundo a organização sem fins lucrativos Mobile Pathways, que promove a transparência nos procedimentos de imigração.
No entanto, poucos foram deportados, apesar da pressão da Casa Branca para expulsar um número crescente de imigrantes. Devido a mudanças inexplicáveis na política dos EUA, muitos agora estão presos em um limbo imigratório, sem poder defender seus pedidos de asilo no tribunal e sem saber se serão algemados e colocados em um voo de deportação para um país que nunca viram.
Entre os milhares de casos, estão: o do afegão que fugiu do Talibã e buscou refúgio no interior do estado de Nova York quando as autoridades de imigração dos EUA ordenaram sua deportação para Uganda; e o da cubana que trabalhava em um restaurante Chick-fil-A no Texas, que foi presa após um pequeno acidente de trânsito e informada de que seria enviada para o Equador.
Há o mauritano que vive em Michigan e foi informado de que teria que ir para Uganda, a mãe venezuelana em Ohio que foi informada de que seria enviada para o Equador, e os bolivianos, equatorianos e tantos outros em todo o país que receberam ordens de deportação para Honduras.
Alguns estão detidos, embora o número exato seja incerto. Todos perderam suas autorizações de trabalho, um direito que a maioria possuía enquanto seus pedidos de asilo estavam sendo processados, o que agrava a preocupação e o medo que se espalharam pelas comunidades migrantes.
A taxa de concessão de asilo sugere que 91,7% dos pedidos de brasileiros não atendem ao padrão legal de "fundado receio de perseguição" com base em opinião política. No entanto, as regras exigem que a agência reconheça que o temor do peticionário em relação ao governo Lula é real; portanto, eles não podem ser enviados de volta ao Brasil e foram colocados na lista de deportação para a Argentina e Honduras.
“O objetivo desta administração é incutir medo nas pessoas. Esse é o principal propósito”, disse Cassandra Charles, advogada sênior do National Immigration Law Center, que tem combatido a agenda de deportação em massa do governo Trump.
De acordo com ativistas, o medo de ser deportado para um país desconhecido pode levar os afetados a abandonar seus pedidos de imigração e decidir retornar aos seus países de origem.
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