quarta-feira, 1 de abril de 2026

TOMO MMCLXVII A DITADURA QUE NUNCA MORRE


As ideias de exceção são sempre as mais brutais, e não param por aí: elas ainda inventam apoios. Quem apoia ditadura? Só quem lucra com ela, que não liga para os sadismos dos sociopatas que usam a força do Estado para se beneficiar. E tem também os idiotas de plantão, que por preguiça de pensar, acreditam que questionar vai contra a vontade do tal deus deles. Para esses, o "livre-arbítrio" que esse deus teria dado é só para dizer amém.

Antes de falar da crônica, preciso dizer que na madrugada do dia 1º de abril de 1964 eu estava acordado até as três da manhã. As rádios tocavam normalmente até as duas, quando começaram a só passar músicas instrumentais. Ou seja, o golpe foi uma mentira: não houve defesa da democracia, nem revolução, só um golpe disfarçado para manter o poder.

Depois de vinte e um anos, com a estrutura da ditadura apodrecendo, ou talvez pelo cansaço dos EUA em manter o Brasil como colônia, as elites entreguistas continuaram sem projeto de nação. O medo do tal "projeto comunista" era só fantasia; o que existia mesmo era uma proposta nacionalista, que os golpistas até apoiaram por menos de um ano, até começarem a prender os militares nacionalistas.

Passados os vinte e um anos, em vez de uma eleição direta para enterrar os anos de chumbo, tivemos dois representantes do medo. Um deles, o golpista de 1961, Tancredo Neves, tio-avô do Aécio, que recusou aceitar a derrota e abriu caminho para o golpe de 2016. Golpismo atrás de golpismo.

Na primeira eleição direta, as mesmas forças golpistas se uniram a outro filho da ditadura, Collor, que venceu com o apoio da eterna elite entreguista.

A ditadura nunca saiu de cena.

Tudo isso para chegar ao que deveria ser uma audiência pública sobre a construção de um incinerador de resíduos em Perus.

Lá, o velho expediente ditatorial se repetiu: um prefeito, infelizmente eleito, colocou dez ônibus cheios de apoiadores para lotar o auditório do Céu, em Perus, onde a audiência deveria acontecer. Como o público não era a população interessada, aquilo foi qualquer coisa, menos uma audiência.

Hipocrisia? Claro. Mas não parou aí: nem a imprensa local teve permissão para entrar.

Nosso repórter de campo, Ulisses Queixada, ouviu de um guarda civil municipal que a rádio comunitária Cantareira não é imprensa. Talvez tenham razão, já que para eles imprensa é só quem apoia a submissão eterna do Brasil como colônia.

Nós, da Rádio Comunitária Cantareira, além de defender o Estado democrático de direito, somos defensores do meio ambiente e radicalmente contra o incinerador, que pode acabar com a renda de catadores e cooperativas.

Ditaduras só acontecem com subserviência, quase sempre alimentada pelo medo. Nós defendemos a população, o meio ambiente e a dignidade do nosso repórter.

Ulisses Queixada, você é a voz da nossa rádio.

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