Sabe, quando a gente fala dos “enlatados ianques”, há uns poucos que, mesmo nascidos sob o capitalismo, carregam ideias que fariam Marx sorrir. Entre eles, Star Trek merece destaque. E dentro dessa série, há um episódio curioso — aquele dos “dois sóis”. Por décadas, parecia pura ficção científica. Parecia.
No episódio, o capitão James T. Kirk simplesmente desaparece da nave. A genialidade vulcana de Spock o leva a um planeta solitário orbitando dois sóis. Até aí, tudo era imaginação — mas uma imaginação que, como quase toda boa ficção, antecipa a realidade.
Nesse planeta estranho, havia “deuses” brincalhões. Eles sequestravam viajantes espaciais para se divertir com a população nativa, como se fossem peças de um jogo cósmico. No fim, a lógica de Spock e a persuasão de Kirk convencem esses deuses a conceder ao povo o livre-arbítrio — algo que, nós humanos, supostamente temos.
Digo “supostamente” porque, se tudo que fazemos de errado é “vontade de Deus”, então até o lixo jogado na rua é divino. E, seguindo essa lógica, é esse mesmo deus que nos manda votar em milicianos, enquanto ser honesto vira crime. Já transportar 39 quilos de cocaína, desviar joias ou vender refinarias a preço de banana parece bênção celestial. Afinal, segundo as lideranças “pseudo-cristãs” conservadoras, o pecado é pensar.
O heroísmo desses falsos discípulos é digno de roteiro: pregam desapego material, mas gravam vídeos pedindo doações pra comprar avião novo. E não faltam carros blindados, fazendas, indústrias e até emissoras de TV em nome dessas igrejas.
Enquanto o planeta de dois sóis era ficção, a manipulação do povo é bem real — e tem objetivo político claro: manter o eleitor cativo, votando nas elites que, como os deuses brincalhões, garantem que a falta de opção pareça destino.
A ironia é que, enquanto a astronomia descobre um planeta que desafia a teoria da relatividade — orbitando dois sóis, como no velho episódio — nós seguimos orbitando os mesmos discursos, as mesmas mentiras, os mesmos “deuses” de terno e gravata.
Um planeta de dois sóis foi encontrado.
Agora só falta um roteirista marxista convencer não um deus inalcançável, mas seus supostos pastores, de que o verdadeiro livre-arbítrio nos leva a uma conclusão simples:
somos iguais, logo, comuns

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