A microfestação da gadanhada e o Messias que nunca veio. Não sei qual das contagens foi mais curiosa: a da rádio Itatiaia, que registrou “30 a 35” presentes, ou a do portal Metrópoles, que apontou “130 gados pingados”. O termo “gado” aqui é licença poética deste cronista; já os números, não.
Por mais estranho que pareça, há pobres de direita — por opção política. O discurso moralista que sustenta essa escolha resiste, mesmo diante das revelações que expõem suas contradições.
O inexistente “corajoso capetão”, cuja lenda ainda embala os choros da “gadaiada”, tornou-se, após a última microfestação, mais bem descrito como “gadinhada”. Não entraremos em pautas comportamentais, por mais hipócritas que sejam. Mas, quanto à cegueira, é impossível ignorar: o discurso de honestidade convive com o silêncio sobre o caso das joias, frontalmente ignorado pelas mesmas pessoas que ecoaram as mentiras do triplex e do sítio de Atibaia.
Nas contraposições das versões, há as imagens televisivas. Enquanto o “juizeco” proibia e a imprensa se omitia, o tal elevador privativo segue, quase uma década depois, como incógnita. Já as imagens das tentativas de liberar as joias sauditas rodaram o mundo.
Hoje, com condenações já transitadas em julgado contra o capetão e o núcleo central da trama golpista, as provas abundantes continuam a ser ignoradas. Não apenas pelas “treze dezenas” que se reuniram diante do Museu Nacional em Brasília para uma microfestação da gadinhada, mas também por aqueles que, mesmo afastando-se das ruas, permanecem direitistas em essência.
Por trás dessa trágica realidade, persiste o desvio de conduta de sempre: líderes religiosos que se proclamam pastores, mas ignoram que os profetas anunciavam a vinda de um Messias da reconstrução. As lições do Velho Testamento exigem, no mínimo, outro olhar — não o olhar que legitima um capetão bélico em vez de um Messias da paz.
ERRATA NUMÉRICA: outra vez, desta vez em dublete, errei a numeração das crônicas, tanto no domingo, 2045, digitei 2025, quanto na segunda, 2046, digitei 2026, desculpas.

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