No dia 29/07/24, teria ocorrido um acidente automobilístico no Distrito Federal. Uma idosa perdeu a vida. Entre os veículos envolvidos, um — sem feridos graves — estava a serviço de um deputado federal conhecido por ostentar discursos de moralidade. Curiosamente, este mesmo deputado é apontado como aquele que “esqueceu” de depositar em banco, após vender um imóvel em dinheiro vivo, a singela quantia de R$ 470.000,00. Nada suspeito, concluo. Absolutamente nada.
Confesso minha ignorância: só ontem soube do fato. E, desde então, permaneço embasbacado. Não apenas pelo acidente, mas sobretudo pela naturalidade com que alguém pode “esquecer” de movimentar quase meio milhão de reais, fruto de uma transação imobiliária não registrada, em um estado onde mantém residência. Nada realmente suspeito, não é mesmo?
E nada parece suspeito sequer no discurso de moralidade. Afinal, foi justamente esse discurso que conduziu ao cargo de chanceler alemão aquele sujeito de bigodinho. O tempo e a história são testemunhas incontestáveis.
Não se trata aqui de imputar ao deputado-pastor qualquer capacidade comparável ao bigodinho, tampouco ao líder da facção criminosa já condenado por tentativa de golpe de Estado. Ainda que simpatias não sejam omitidas, e que um dos filhos desse líder — até a semana passada “deputado internacional” — nunca tenha escondido suas relações de amizade com adeptos dessa ideologia sombria.
Preocupa-me, também, a quantidade de gestos de figuras que ocuparam cargos relevantes naquele desgoverno funesto, posando em fotografias com sinais comparativos ao nazi-fascismo.
O discurso “pseudamente moral” que permitiu a ascensão do bigodinho, responsável pelo Holocausto, é infelizmente muito mais perigoso do que a declarada pretensão de assassinar trinta mil brasileiros durante a ditadura militar. Soma-se a isso misoginia, racismo, sexismo e, pasmem, uma xenofobia às avessas: os “ianquistas” — termo inexistente, mas que significaria viver para os ianques — defendem que o Brasil deveria se tornar uma colônia norte-americana.
Quem dera fossem apenas sinais absurdos que este cronista insiste em enxergar.

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