Muito provavelmente, um dos ditos populares que mais ouvi na vida foi: “Em terra de cego, quem tem um olho é rei.”
Confesso: demorou um tanto quanto longo para que eu compreendesse bem o alcance dessa lógica. Mas ontem, na feira, ao comprar condimentos, percebi sua atualidade.
Em outra banca, encontrei uma pessoa conhecida, conversando com alguém que desconheço. Logo, tudo aqui são meras suposições. O desconhecido falava sobre temas vagos, conduzindo a conversa para a “burrice coletiva”. Ainda que exalasse conhecimentos, nada me tira da cabeça que se tratava de um bolsonarista não arrependido, mas “fulo de raiva” por ver pessoas abandonando o mito. Se estiver certo, ele jamais lerá esta crônica; se estiver errado, teremos assunto para outra.
Foi impossível não comentar que o tamanho da cegueira coletiva vai justamente de encontro ao dito popular que abre esta reflexão. Sem uma percepção mínima, somos levados a ser nossos maiores inimigos. Acrescentei que estudar não é apenas absorver o que nos é ofertado, mas compreender quais são nossas reais demandas.
As duas pessoas — tanto a que conheço quanto a outra — nunca haviam conversado comigo sobre política. Logo, tudo permanece no campo da conjectura. O desconhecido, parecendo o portador de um olho em terra de cego, não se eximiu de desfilar conhecimentos. Claro, sem base, sem assumir-se bolsonarista, mas reclamando da incompreensão da sociedade.
Foi nesse instante que tirei da cartola a frase que sempre repito: é impossível admitir que alguém que se diga cristão tenha votado em quem defende pena de morte e tortura. O impacto foi imediato: o ritmo da respiração do interlocutor mudou. No entanto, ele não desceu do salto.
A conversa derivou para a votação da isenção do imposto de renda. Infelizmente, não houve tempo de chegar à questão das joias roubadas — que todo mundo viu, mas ninguém enxerga. Já o triplex, que ninguém viu, todo mundo jura que viu. E, portanto, é tratado como a mais cristalina verdade.
P.S: muitas vezes o olho que uma pessoa tem, pelo qual se avoçara rei, no mundo dos bolzominins, é na verdade uma prótese
ERRATA: percebi, que os erros na numeração, não é meu, sim do corretor automático, ontem, em vez de 2047, saiu, 2027. Está virando rotina. Hoje, errei, não.

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