POMO FILOSÓFICO
Achar algo certo,
Não faz deste algo,
Algo certo.
Sempre, me achei, até por crer,
Na sinceridade de alguém,
Que para mim, a mais cristalina e verdadeira,
Só, que da primeira, "pretensa namorada",
Como você é feio?.
A lição, vale, e vale muito,
O deus de todos,
Que prefere uns.
O Deus, filho de uma mulher,
Que teria dito: "atire a primeira pedra",
É o mesmo deus cultuado por feminicidas
Realmente, crer que é certo,
Não dá certeza a nada
Nisinha Vamos
O fim que nunca foi fim
Quando tudo começou, não sei dizer. Talvez seja impossível definir o ponto exato em que recomeçou, já que os intervalos da história brasileira são quase sempre imperceptíveis — pausas que parecem apenas respirações curtas de um ciclo que insiste em se repetir.
Oficialmente, a eleição de um presidente civil teria encerrado a ditadura. Não questiono o fato em si, mas aos setenta anos, com um diploma esquecido em alguma gaveta, aprendi que a história não se resume a marcos oficiais. O candidato eleito não era um dos autênticos do MDB, e seu vice vinha diretamente da ARENA, partido que sustentava a ditadura. Não sou eu quem afirma: é a própria história que mostra que 1985 não foi o fim.
Houve avanços, claro. A Constituinte de 1988 nos deu uma carta que parecia iluminar o país após um longo período de trevas. Mas a mesma Constituição revelou — ou talvez tenha estruturado — o chamado “centrão”, esse bloco que insiste em manter viva a chama dos que nunca aceitaram o fim da ditadura.
Entramos no novo século e vimos setores da mídia, que outrora emprestavam seus veículos para batidas policiais e transporte de presos, reinventarem-se. Abandonaram as receitas culinárias e os programas dominicais de exaltação presidencial, mas não abandonaram o papel de guardiões de uma narrativa conveniente. O fim, afinal, não foi fim. Foi, no máximo, uma retirada estratégica, uma fuga com o rabo entre as pernas, para não assumir a derrota.
Chegamos ao Brasil do “pós-bozo”, e a mesma mídia entreguista reaparece. A mesma que transformou juízes em heróis, fabricadores de provas em deuses, enxadristas de ocasião em ícones. A mesma que, quando confrontada, recorre a justificativas frágeis, até inventando doenças em estágio terminal para evitar o debate público.
A democracia, dizem alguns, não precisa de heróis. Talvez seja verdade. Mas também não precisa de farsantes, nem de agressores travestidos de jornalistas.
A história, para os historiadores, é uma sequência que se interrompe bruscamente. Para nós, brasileiros, é uma linha contínua, sem rupturas. Em mais de cinco séculos, nunca houve um corte definitivo. Apenas transições suaves, disfarçadas de mudanças, que nos deixam sempre com a sensação de que o fim nunca é fim.

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