Desde os tempos em que eu era conhecido por escrever crônicas em versos — quando existia apenas o personagem teatral Anesino Sandice — já se falava do PIG, o Partido da Imprensa Golpista.
Não era um suíno, como poderiam sugerir as línguas do Tio Sam, mas sim a sigla que simbolizava a mídia entreguista, responsável por estimular minhas primeiras escritas. Ingenuamente, cheguei a acreditar que, após a catástrofe da eleição do trancafiado, essa mesma mídia teria aprendido os riscos da cegueira burra.
Há, é claro, uma parcela significativa da sociedade que vive de crenças. Basta recordar uma expressão comum nos lares durante a ditadura: quando uma moça começava a namorar um rapaz sem vínculo com o chão de fábrica, dizia-se que “amor não enche barriga”. Quase quarenta anos depois da fuga dos militares do comando do país — por mera incapacidade — vemos surgir uma nova versão: “o amor enche barrigas”. Barrigas cheias de ódio, alimentadas pelos bolsonaristas, que amam odiar a democracia, o fim da fome, a liberdade religiosa sem intolerância, e uma sociedade livre de sexismo, racismo e homofobia. Oficialmente, esses preconceitos são condenados, mas nos rincões sociais continuam vivos, motivando os saudosos do burrismo explícito e dando asas à farsa-jato, com seu herói fabricado nas entranhas de um entreguismo atroz.
Para que a farsa-jato existisse, foi necessário antes que amplos setores da mídia cultivassem o mesmo ódio, tendo como matéria-prima básica a ignorância.
Esse ódio também nos trouxe de volta ao mapa da fome, sustentado por pessoas armadas de bíblias nas mãos, que falavam de Deus, família e moralidade. Mas o Deus invocado por esse povo não é o da Bíblia; é o deus fabricado pelo Império Romano, usado como instrumento de poder.
No chão de fábrica, onde a vida real do povo acontece, a fome é saciada pela crença em um Deus único, que entregou seu filho para resgatar a humanidade das trevas. No entanto, as lições desse mesmo Deus são distorcidas para manter uma fábrica de ignorância.
Sem pessoas que portassem a Bíblia como arma, não haveria o 8 de janeiro de 2023. Esse episódio só existiu porque o PIG fez acreditar em crimes inexistentes, como as pedaladas fiscais, vendidas como prova de moralidade. Enquanto práticas reais eram relativizadas, imagens televisivas de tentativas de retirar joias da Receita eram tratadas como mera narrativa.
O PIG existe, mas só prospera porque encontra terreno fértil nos amores irracionais e injustificáveis — como aqueles das moças que se enamoravam de quem não era amigo do trabalho. Sem essa predisposição social, as pregações do PIG não teriam força.

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