SOMOS NÓS,
Que mesmo, que nos digamos ateus,
Quem adotamos os ensinamentos do Cristo,
Já que a concepção de um Deus único,
Remete a uma igualdade.
Somos nós, que amamos a vida,
Só que não uma vida qualquer,
Mas, uma vida em abundância,
Uma vida que respeite a vida.
Um almoço de histórias vivas
Ontem, 19 de dezembro de 2025, os militantes históricos do partidão se reuniram para o tradicional almoço de fim de ano. O cenário foi um restaurante público — cujo nome não revelarei — onde cerca de cinquenta pessoas se encontraram. Era uma mistura bonita: velhos conhecidos de tantas batalhas, companheiros de militância que reconhecemos pelo rosto, mas não pelo nome, e outros que carregam apelidos de guerra, ainda vivos na memória dos anos de chumbo. E havia também aqueles que sempre ouvimos falar, mas nunca tínhamos visto de perto — lendas que, de repente, se materializam diante de nós, em carne e osso.
Entre tantos, fiquei especialmente com dois amigos de longa data. O primeiro, presença constante nesses encontros, é o senhor José Ferreira da Silva. Para nós, que enfrentamos a ditadura, ele será sempre o enigmático Frei Chico. Quantas páginas da história do Brasil repousam naquela cabeça hoje coberta de cabelos brancos.
O segundo é outro personagem ilustre, igualmente fundamental para a história recente do país — aquela que ainda não ganhou espaço nos livros didáticos, mas que deveria estar na formação de qualquer estudante. Trata-se de José Genoíno, outro velho companheiro, cuja trajetória dispensa apresentações.
Claro que poderíamos citar muitos mais. Alguns lembramos apenas pelo primeiro nome, outros pelos codinomes usados na clandestinidade. E há aqueles que nos surpreendem: nomes que julgávamos pertencer apenas ao imaginário, mas que se revelam diante de nós como pessoas reais.
Estar vivo para testemunhar e compartilhar essas histórias é um privilégio raro. É como se cada encontro fosse uma pequena celebração da memória, uma reafirmação de que resistir valeu — e ainda vale — a pena.
P.S.: Nós, comunistas, talvez sejamos, em parte, uma continuidade dos ensinamentos de Cristo. Afinal, há dois mil anos ele já sabia que o mundo — o Estado — não poderia se organizar como estava. Precisava ser transformado.
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