terça-feira, 2 de dezembro de 2025

TOMO MMXXVI - DESPERTAR TRÁGICO


Ainda é pontual, não constante, o surgimento de pessoas que, do lado de cá do problema, revelam-se como pobres manipulados por cobradores de dízimo qualquer. Aos poucos, começam a pipocar ex-bolsonaristas, aqui e ali.

São indivíduos que, antes, agiam como uma verdadeira “manada”. Não é por acaso que o próprio bozo tratava seus apoiadores como “gado”. Confesso: depois do segundo turno — ou seja, antes da tentativa de golpe de 08/01/23 — alguns, não todos, dos bolsonaristas da minha família admitiram o “perdeu, mané”. Quase três anos depois, ainda vemos alguns pipocar.

Mais importante do que questionar a pequena quantidade dessas “pipocas”, precisamos lembrar que o bolsonarismo se sustenta em dois universos paralelos: o midiático e o religioso.

Esses dois universos só obtêm êxito justamente pelo casamento entre si. As lideranças religiosas bolsonaristas são sempre ases midiáticos. Há aqui, antes mesmo da criação de uma mente direitista, uma questão antropológica: o privilégio da leitura, restrito a poucos elementos do clero, quando até mesmo na Igreja Católica havia copistas que apenas reproduziam a Bíblia, antes de Gutemberg. É dessa época que vem a incapacidade de “juntar lé com cré”, ou seja, de relacionar os versículos da Bíblia.

Assim, no universo religioso, o deus único é naturalmente segregacionista. Talvez a melhor definição seja “estamentista”: um deus que, embora único, propõe a seus fiéis uma sociedade dividida em estamentos. Aqui poderíamos entrar na lógica do “capetalista burguês”, que se justifica pela suposta possibilidade de mobilidade social.

O universo religioso, no entanto, só espalha seus tentáculos com a participação ativa e efetiva do outro universo: o midiático. Uma das marcas midiáticas do universo religioso é a “auto-rotulação”. Com ela, o integrante dessas seitas acredita que apenas quem age dentro dos ditames da seita está “salvo”. Isso dificulta enormemente a ampliação do despertar das pessoas.

Não pretendo, hoje, jogar um balde de água fria sobre nossas necessidades, enquanto humanidade, de reverter esse trágico “direita volver” que nos ameaça. Mas precisamos encontrar um meio de utilizar a interseção desses dois universos para acordar mais gente. Como fazer isso? Certamente não sei.

O que dificulta nossas ações é o fato de que a tragédia não é, necessariamente, uma ferramenta de fácil absorção pelos bolsonaristas. Alguns perderam familiares para a covid e, ainda assim, continuam bolsonaristas. Muitos perderam emprego e, ainda assim, continuam bolsonaristas. Integrantes de grupos minoritários — alvos prioritários do “capetão” — continuam bolsonaristas, mesmo sendo diretamente atingidos.

O quadro, exatamente por isso, é grave. Do ponto de vista de uma eleição presidencial, é possível que, pelo carisma de um líder como Lula, as forças humanistas conquistem uma vitória. Infelizmente, caso a máxima se confirme — “NÃO RECLAME DESTE CONGRESSO, ANTES DE VER O PRÓXIMO” — é exatamente aí que devem se concentrar nossas preocupações.

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