PARTE 3: O PRINCIPADO DOS SEDUTORES SEDUZIDOS
Lembro das aulas de ciências no ginásio, especialmente dos experimentos com ervilhas conduzidos por Gregor Mendel, que culminaram na descoberta dos genes. Mais tarde, aprendemos sobre genótipos e fenótipos: os genótipos representam as características genéticas, muitas vezes invisíveis por serem recessivas; já os fenótipos são as manifestações explícitas dessas características.
É com essa analogia que seguimos nesta série de crônicas, tentando compreender o que leva a humanidade a retrocessos tão profundos — como o que vivemos hoje, oitenta anos após os horrores do nazi-fascismo. Um período marcado pela sedução das classes "mérdias", atraídas por ideologias excludentes e autoritárias.
Segundo Carl Jung, os arquétipos humanos são padrões universais de comportamento e personalidade que nos conectam aos deuses da mitologia grega. Cada indivíduo carrega em si traços singulares desses deuses — uma espécie de genótipo psíquico, invisível, mas presente. No entanto, o que costumamos expressar socialmente são os fenótipos, moldados pela religiosidade dominante, especialmente a tradição judaico-cristã. Sei que essa afirmação pode soar controversa, mas ela é essencial para o raciocínio que proponho.
Infelizmente, a ascensão do nazi-fascismo nos anos 1940, que muitos acreditavam superada, continua a ecoar — não apenas pelos horrores que causou, mas pela incapacidade da humanidade de evoluir moralmente desde então.
O prefixo grego "arqui", além de significar "chefe" ou "primeiro", também pode ser interpretado como "antigo" — daí termos como "arqueologia". Se os arquétipos são nossos genótipos, reprimidos pela cultura dominante, os fenótipos são as expressões visíveis, não das personalidades divinas, mas dos fiéis que se moldam à imagem desses deuses.
Assim, os fenótipos que se espalham entre as massas excluídas são, na verdade, arquetipos envelhecidos — tipos antigos que se deixam seduzir pela ilusão de importância ao cumprir, cegamente, a vontade dos deuses. São os sedutores seduzidos, que perpetuam sistemas de dominação acreditando estar em missão divina.

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