sexta-feira, 10 de outubro de 2025

TOMO MCMXCIV ENTRE OS ARQUÉTIPOS & OS ARQUETIPOS


Parte 2: A Violência como Arma da Política

Na crônica anterior, intitulada "1993", exploramos estudos que sugerem a violência como um substituto para necessidades sexuais, transcendendo a mera capacidade física. Essa perspectiva, que fundamenta a psicologia criminal, foi um dos pontos de partida para nossa aproximação aos estudos de Sigmund Freud, iniciada durante nossa militância no "partidão".
Após esse período de aprendizado informal, nos anos noventa, aprofundamos nossos estudos em ambiente universitário. Lá, o referencial que se destacou foram as teses de Carl Jung e seus arquétipos humanos. Essa teoria correlaciona os comportamentos humanos às personalidades dos deuses gregos, evidenciando uma ascendência cultural da humanidade ao helenismo, em contraste com a mitologia judaico-cristã.
Recordando Belchior, "deixando tudo isto de lado/ eu quero é ficar do lado/ dela noite e dia/ dizendo/ mora na filosofia". Filosoficamente, a política, entendida como a organização do Estado, pode ser vista como a explicitação da violência enquanto forma de controle social. É crucial ressaltar que, sem a "sedução" de uma parcela significativa dos excluídos pelas teses das elites, dificilmente essas elites, especialmente após a democratização do saber, conseguiriam manter sua posição. A sedução dos excluídos é, portanto, um pilar para a perpetuação das teses que embalam a exclusão.
No contexto do capitalismo, a tríade fundamental oriunda da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – é frequentemente utilizada para sustentar a ideia de que todos possuem as mesmas oportunidades. Contudo, a realidade demonstra que essa premissa é falha.
É a partir deste ponto que o prefixo grego "arqui" (que significa "chefe" ou "começo") ganha relevância em nossa análise. Como diria Gonzaguinha, "começaria tudo outra vez/ se preciso fosse/ meu amor". A questão é que, no "começo" dessa equação social, existem heranças que se consolidam como privilégios. Esses privilégios são concedidos àqueles que já detinham a posse de terras, oficinas e acesso às universidades – instituições que, nesse período de formação das elites, estavam frequentemente ligadas a estruturas religiosas. Tais estruturas, por sua vez, adquiriram e mantêm privilégios dentro dessa organização social.
Precisamos, ainda, abordar a sedução dos excluídos pelas teses que defendem os interesses das elites. É aqui que unimos os estudos desses dois verdadeiros "Papas" da psicologia. Enquanto Sigmund Freud discute a violência como um substituto da sexualidade, Carl Jung nos apresenta a teoria de que todos almejamos ter a personalidade de um dos muitos deuses. Viajo, então, na musicalidade de Chico Buarque, que canta: "são boias-frias, são faxineiros, são pedintes/ onde tantos iguais se misturam/ p'ra poder suportar a dor".

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