A Comissão Europeia apresentou recentemente uma proposta ousada que promete redefinir o rumo político e econômico do bloco: reduzir em 90% as emissões de gases de efeito estufa até 2040, tomando como base os níveis de 1990.
Embora a medida seja celebrada por ambientalistas como um passo histórico no combate à crise climática, ela tem provocado uma onda de resistência entre Estados-membros e setores industriais, que alertam para os impactos sociais e econômicos de uma transição energética acelerada.
Na França, o governo de Emmanuel Macron tenta equilibrar o discurso ambientalista com o temor de novas revoltas populares semelhantes ao movimento dos “coletes amarelos”, que teve origem justamente em protestos contra impostos sobre combustíveis. Partidos de oposição classificam a meta como “inatingível” e “eleitoralmente suicida”.
Já na Alemanha, país fortemente dependente de sua indústria automobilística, associações empresariais pressionam Berlim a moderar o ritmo das mudanças, pedindo incentivos maiores para pesquisa em tecnologias verdes e menos restrições regulatórias.
A disputa evidencia um dilema cada vez mais central na política europeia: como manter a liderança global no combate ao aquecimento global sem comprometer a competitividade da economia do continente.
Enquanto isso, líderes da Comissão afirmam que a meta é essencial para “preservar a credibilidade climática” da União Europeia antes da próxima conferência global do clima, prevista para o segundo semestre de 2025.

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