Se estivéssemos falando daquela clássica série de TV, Kung Fu, talvez estivéssemos narrando a saga deste "gafanhoto" aqui — eu mesmo — em busca de sabedoria. Uma jornada pessoal para evitar que eu me tornasse aquilo que mais temia: um pobre de direita, um cristão conservador que não distingue o Velho do Novo Testamento, que paga dízimo sem questionar, contribuindo, na prática, para o enriquecimento de uns poucos pastores espertos.
Foi lá atrás, acreditem, já com alguns fios brancos na cabeça, em setembro de 1967, que me vi numa reunião clandestina do também clandestino "P C", o Partidão. A partir dali, os escritos de Karl Marx e Friedrich Engels tornaram-se leitura obrigatória, assim como o teatro engajado e as poesias de Bertolt Brecht (não confundir com o escultor Brecheret). Esse mergulho intelectual despertou em mim uma nova curiosidade: a violência — não a física, mas a estrutural, a simbólica, a psíquica.
Essa inquietação me levou aos textos de Sigmund Freud, que, ao explorar a sexualidade humana, revelou como ela molda nossas personalidades e influencia nossos comportamentos cotidianos. Freud nos mostra que, dentro da lógica burguesa, a sexualidade é domesticada para manter a ordem social — uma ordem baseada na exploração do homem pelo capital, naturalizada como se fosse o único modo possível de existência.
Ah, antes que eu me esqueça: os "arquétipos humanos", tão populares hoje em dia, são obra de outro pensador, Carl Jung — tema que deixarei para a crônica da próxima quinta-feira, a de número 2000.
Voltando à violência: a psicologia criminal, por exemplo, associa a sociopatia — frequentemente ligada a crimes violentos — a uma tentativa de compensação da virilidade sexual. Não estou aqui para validar ou refutar teses, apenas para lembrar que a violência do capitalismo vai muito além da exclusão de indivíduos. Ela exclui nações inteiras, contingentes populacionais inteiros, e o faz com a conivência das elites locais, que atuam como verdadeiros "testas-de-ferro" dos donos do capital global.
E o Brasil, claro, não apenas participa desse jogo — ele se destaca. O sabujismo de nossas elites é quase uma arte, uma coreografia bem ensaiada de submissão e conveniência.

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