sexta-feira, 29 de maio de 2026

TOMO MMCCXXV ENTRE O CAOS E O COSMOS


Os Dois Brasis

Hoje, há dois Brasis.
O primeiro é o Brasil dos bolzominiuns, que ainda carrega o DNA da mérdia entreguista. Nesse Brasil, reina a desesperança — uma desesperança que justifica o direita volver, o retrocesso das relações sociais, o retorno à vigilância e à suspeita.

Nesse país, vigiar é verbo cotidiano. Vigia-se a cor da pele, o CEP, o modo de andar. Pessoas cuja pele “parece suspeita” vivem em endereços que não ajudam muito. E, para a felicidade dos que vendem a suspeição, há quem compre — seduzido pela religião, pela promessa de salvação, mesmo tendo a mesma cor de pele e o mesmo CEP dos vigiados.

Para esse Brasil faccioso, a inflação é galopante, o desabastecimento é real, e o Judiciário vive uma “ditadura”. O cenário exige, segundo eles, um pronto restabelecimento da ordem. Que venha a monarquia! Que se convoque o laranjão maluco, que nomeará um miliciano expulso do Exército como interventor — e, se ele adoecer, outro virá, submisso. Falta apenas a pérola final desse enredo sombrio.

Mas esse é o Brasil fictício.
A realidade navega em mares mais calmos. Saímos, ao menos oficialmente, do mundo dos milicianos e dos patriotários, da corja dos pastores coletores de dízimo. O mapa da fome, que havia retornado heroicamente durante a desgestão da trupe miliciana, voltou a se afastar. O país mergulha agora no melhor IDH da sua história.

E, se isso for enxergado pela turma da “moral capenga”, como sustentar seus discursos?
O Brasil da moral capenga precisa de um país condenado a ser colônia.

A eleição de alguém fora do covil das elites, que nunca ousaram sair da caverna da ilusão, não ameaça o poder dessas elites submissas. Mas, se os pagadores de dízimo perceberem que o dízimo mantém o país no atraso, os patrões dessa elite podem se enfurecer.

Entre o risco de crescer independente e o conforto da submissão, nossa burguesia escolhe a calmaria do não sonhar.
Mesmo que, para isso, o mapa da fome permaneça como uma realidade imutável.



DE NÓS E DELES

Quando sou eu, 

Há o rigor da lei,

"Neste eu, leia-se",

Ops, some-se, os meus iguais, 

Ou seja, some as pessoas de pele parda,

Some, as pessoas de pele escura, 

Some, as pessoas de pele vermelha, 

Mas, some também, os:

Economicamente excluídos,

Aquelas pessoas, cujo o CEP, 

Mesmo quando há números iguais, 

Já nos detalhes?


Para o nós, o nicole,

Grava vídeo em fundo preto,

Ops não era bem para nos,

O vídeo do nicole,

O vídeo do nicole, tinha CEP,

Era exclusivamente para proteger eles.


Anesino Sandice

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