Rio Milicial: Fé e Política à Bala e à Grana
O Estado do Rio de Janeiro talvez seja o exemplo mais evidente da milicianização do poder.
Os mortos recentes — mais de uma centena — não são tragédia, porque tragédia pressupõe acaso.
Aqui, não houve acaso: houve cálculo.
Uma engenharia política para impulsionar candidaturas, e, se não foi isso, há quem se aproveite — os comerciantes da fé — para colher dividendos eleitorais do sangue alheio.
Como?
A ingenuidade perguntaria.
E a resposta viria pronta: “Você não tem fé.”
Ou pior: “Defende impurezas.”
E, se ousar perguntar quais, virá um versículo de Romanos, recitado como sentença, ignorando que o Império Romano dominava a Palestina — e que, dois mil anos depois, a história se repete, com novos impérios e velhas cruzes.
Voltemos às águas que arrastam encostas, que sepultam sonhos.
Por trás de cada lágrima há uma mãe que perdeu o filho para a correnteza, ou um filho que sabe que o túmulo da mãe é apenas lama — sem placa, sem nome, sem “aqui jaz”.
E enquanto isso, as “contribuições voluntárias” nas igrejas conservadoras financiam jatinhos, templos de mármore e campanhas de congressistas inimigos do povo.
Nesta semana do Dia do Trabalho, o Congresso deu duas provas de sua inimizade:
a recusa do nome de Jorge Messias para o STF e a derrubada do veto presidencial à chamada PEC da dosimetria — que é pecado, não proposta.
Sabem que é inconstitucional.
Mas fingem não saber, porque o povo paga para ser enganado, e paga caro.
O Rio é o espelho do país: fé transformada em moeda, política feita à bala, e justiça vendida a quem puder pagar o dízimo mais alto.
ÁGUAS
As águas da correnteza,
Varre,
Varre os sonhos da casa,
Nada acidentalmente posta,
Exatamente no caminho da correnteza.
Quando a correnteza, no caminho,
Não varre os sonhos,
Há, as águas do encherque.
As águas do encherque,
Que encharcam enconstas, onde?
Curiosamente, os desprovidos de áreas nobres,
Eretam seus casebres.
Ah, talvez alguém me pergunte:
Porque, as águas encharcam exatamente estas encostas?
E eu, sem dourar a pílula, respondo,
Por restos de recicláveis largados,
Talvez, sua até, justificada curiosadade pergunte,
Mas, porquê mesmo?
É a fonte de renda,
Resposta cabal, que gera perguntas.
As respostas, não, a resposta é única
Mas, antes desta, há águas
Águas salgadas de lágrimas,
Que lavam os rostos, por filhos ausentes.
As respostas, não há respostas,
Há, no entanto, a resposta.
A resposta é a fé,
Não que a fé, seja o problema,
Mas, a manipulação da fé,
Por objetivos políticos, sim.
Santo Semfé)
Nenhum comentário:
Postar um comentário