A chamada “mídia esportiva” — ou melhor, a mídia burguesa — sempre foi uma construção forçada. O problema não está apenas na forma, mas na origem.
Nos primórdios, o Brasil sequer tinha gráfica própria; o primeiro jornal nasceu além-mar. Mas o que realmente faltava não era a técnica, e sim uma elite capaz de financiar uma imprensa que fosse sua voz. Sem essa elite, a mídia cumpriu o papel que sempre cumpre: transformar-se em espetáculo, em performance. E, enquanto aparentava defender o Brasil, na verdade defendia os interesses do grande capital mundial — não o capital em si, mas o que nele há de mais nefasto: setores que, se pudessem, reinventariam a escravidão sob o disfarce da “modernidade”.
Dentro desse contexto, vemos hoje a mídia esportiva defender cegamente mais uma convocação de um “ex-jogador” ainda em atividade. Não é novidade. Em outra Copa, também se convocou um atleta fora de forma, sob a justificativa de que “melhorava o astral da rapaziada”. É verdade que o astral importa nos esportes, mas até que ponto isso justifica a escolha?
Nos dois casos — o passado e o presente — os “ex-jogadores” em atividade tinham em comum a habilidade para o drible, o que os tornava atraentes para as indústrias de material esportivo. E aqui está o ponto: nunca no Brasil os donos das patentes deixaram de lucrar com isso. Uma camisa que custa algumas dezenas de reais para ser produzida chega às lojas por centenas. O consumidor paga caro, e o lucro vai parar no bolso de quem, muito provavelmente, é contra qualquer avanço social, como o fim da jornada de trabalho extenuante.
Nada disso é novidade. Assim como não é novidade ver profissionais da mídia vestindo, literalmente, a camisa dos patrocinadores enquanto trabalham. É normal, dizem. Mas não deixa de ser estranho.

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