Depois de descobrir o circo
O passo seguinte da “diversão paga” veio com a adrenalina — denominação recente, é verdade, mas o culto a ela começou bem antes, nos parques de diversão.
Os pais — “não os meus” — levavam as crianças pequenas ao carrossel. As mães, inclusive a nossa, acompanhavam as filhas, gritando: “VOCÊS NAQUILO NÃO VÃO NÃO!”. “Aquilo”, no caso, era o dangue — um carrossel com cadeiras suspensas que, ao girar, parecia querer levantar voo.
Todos nós éramos fãs da roda-gigante, mas as mocinhas disputavam uma volta no dangue. Tudo isso, claro, antes da chegada dos jogos tecnológicos.
Esses jogos, hoje tão populares, são usados para treinar o imenso contingente de soldados das guerras que acontecem em tempos de “pseudopaz”. Nesse cenário, os jogos não apenas despertam a vontade de guerrear — eles alimentam, numa hipótese deste poeta, a fábrica das ideologias direitistas entre os excluídos. Vendem o “destravar da adrenalina” e, junto com ele, a vontade de fazer guerras. São, portanto, uma fábrica de uma população pobre de direita, especialmente entre os consumidores de jogos eletrônicos.
A bola da vez é sempre a África. Ou o mundo árabe. Na África, as múltiplas etnias; no mundo árabe, as peculiaridades religiosas. Mas a verdadeira mola propulsora é a fome de lucro da indústria bélica.
A visão direitista do mundo é facilmente perceptível — basta olhar para o gado bolzominion, que cumpre penas longas sem jamais denunciar os manipuladores. Antes da manipulação, há o apego religioso, o mesmo que embala as guerras no mundo árabe: uma relação de amor e ódio com o Estado de Israel.
Poderíamos nos deter na guerra da Ucrânia, onde o humorista-presidente já levou à morte dezenas de milhares de ucranianos. Segundo fontes independentes, há engajamento forçado, como nos velhos filmes de piratas.
No âmago dessa questão está a fome de lucro da indústria bélica, que ignora duas tragédias igualmente graves: os custos humanos e os custos financeiros. Os primeiros são irreparáveis; os segundos, socializados globalmente. Pagamos todos — direta ou indiretamente — pela manutenção dessa guerra absurda e pela disseminação dessa ideologia de direita, tão globalizada quanto a própria miséria que ela produz.
INICIAÇÃO
Foi, lá no ano sessenta,
Rádio, não tinha não,
Tinha um carro de som,
Gritando aos quatro ventos.
"O CIRCO CHEGOU"!
O circo chegou perto do hoje, largo da pancada,
Dinheiro não tinha não,
Foi vender pipoca nos intervalos,
Garantindo a presença em cada show.
No picadeiro, tinha equilibrista,
Nas jaulas, os doadores,
No trapézio, os trapezistas,
No globo da morte, a mais pura emoção.
Anesino Sandice

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