quarta-feira, 27 de maio de 2026

TOMO MMCCXXIII VENDEDORES DE ADRENALINA


Depois de descobrir o circo

O passo seguinte da “diversão paga” veio com a adrenalina — denominação recente, é verdade, mas o culto a ela começou bem antes, nos parques de diversão.

Os pais — “não os meus” — levavam as crianças pequenas ao carrossel. As mães, inclusive a nossa, acompanhavam as filhas, gritando: “VOCÊS NAQUILO NÃO VÃO NÃO!”. “Aquilo”, no caso, era o dangue — um carrossel com cadeiras suspensas que, ao girar, parecia querer levantar voo.

Todos nós éramos fãs da roda-gigante, mas as mocinhas disputavam uma volta no dangue. Tudo isso, claro, antes da chegada dos jogos tecnológicos.

Esses jogos, hoje tão populares, são usados para treinar o imenso contingente de soldados das guerras que acontecem em tempos de “pseudopaz”. Nesse cenário, os jogos não apenas despertam a vontade de guerrear — eles alimentam, numa hipótese deste poeta, a fábrica das ideologias direitistas entre os excluídos. Vendem o “destravar da adrenalina” e, junto com ele, a vontade de fazer guerras. São, portanto, uma fábrica de uma população pobre de direita, especialmente entre os consumidores de jogos eletrônicos.

A bola da vez é sempre a África. Ou o mundo árabe. Na África, as múltiplas etnias; no mundo árabe, as peculiaridades religiosas. Mas a verdadeira mola propulsora é a fome de lucro da indústria bélica.

A visão direitista do mundo é facilmente perceptível — basta olhar para o gado bolzominion, que cumpre penas longas sem jamais denunciar os manipuladores. Antes da manipulação, há o apego religioso, o mesmo que embala as guerras no mundo árabe: uma relação de amor e ódio com o Estado de Israel.

Poderíamos nos deter na guerra da Ucrânia, onde o humorista-presidente já levou à morte dezenas de milhares de ucranianos. Segundo fontes independentes, há engajamento forçado, como nos velhos filmes de piratas.

No âmago dessa questão está a fome de lucro da indústria bélica, que ignora duas tragédias igualmente graves: os custos humanos e os custos financeiros. Os primeiros são irreparáveis; os segundos, socializados globalmente. Pagamos todos — direta ou indiretamente — pela manutenção dessa guerra absurda e pela disseminação dessa ideologia de direita, tão globalizada quanto a própria miséria que ela produz.



INICIAÇÃO 


Foi, lá no ano sessenta, 

Rádio, não tinha não, 

Tinha um carro de som,

Gritando aos quatro ventos. 


"O CIRCO CHEGOU"!


O circo chegou perto do hoje, largo da pancada, 

Dinheiro não tinha não, 

Foi vender pipoca nos intervalos, 

Garantindo a presença em cada show.


No picadeiro, tinha equilibrista, 

Nas jaulas, os doadores, 

No trapézio, os trapezistas, 

No globo da morte, a mais pura emoção. 


Anesino Sandice

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