quarta-feira, 6 de maio de 2026

TOMO MMCCIII ASSALTOS LEGALIZADOS: O “INCONSCIENTE CONSENTIDO”


Os registros das ações de um Estado chegam até nós, muitas vezes, por meio da própria Bíblia — testemunho de um poder que jamais foi laico. A fé, nesses contextos, não era separada da administração: era apenas mais uma engrenagem da máquina estatal.

No século XIX, surge o socialismo com pretensões científicas. E, junto com ele, o ódio dos exploradores. Como resposta “astuta” à ameaça da socialização, a burguesia inventa o chamado Estado de Bem-Estar Social. Mas, por trás dessa fachada, a ignorância continua sendo alimentada, aparentemente conduzida por lideranças religiosas que sonham, desde milênios, com um Estado teocrático — um “Evangelistão” qualquer.

Esse Evangelistão não apenas resgata ideologias do nazi-fascismo, como também reinventa antigas penitências. A lógica é a mesma: garantir lucros por meio da usura. Assim, a retomada de bens financiados — mesmo que falte apenas uma entre centenas de parcelas — perpetua práticas que antecedem o próprio Estado moderno. O medo religioso, transformado em chantagem política, serve de moeda para naturalizar e “humanizar” tais abusos.

A engrenagem publicitária desse tipo de Estado opera com maestria sobre as subjetividades. Distribui “pirulitos” aos adultos infantilizados, que aceitam desculpas travestidas de moralidade. E, nesse teatro, o inconsciente coletivo é conduzido a consentir com assaltos legalizados, acreditando que tudo não passa de penitência justa.




CRIA-SE CRENCAS

 

Até o séc XVII,

A humanidade trabalhava,

Trabalhava a terra,

Fora da terra, fazia guerra,

Além, da guerra, comercializava.

 

Até o séc XVII,

O emprego, era quase servil,

Exceto, é claro, quei o patrão,

Ops, "o serviço" fosse cuidar do rei?

 

Até o séc XVII, trabalhar,

Era imposição.

 

Aí, inventaram a máquina a vapor.

Criaram uma outra escravização.

 

Ação e reação, reagimos,

Primeiro, pura anarquia,

Depois o tamanco, "sabitagem"

Colocar tamancos nas esteiras.

 

A anarquia, virou ideologia,

A ideologia virou consciência,

A consciência, virou organização.

 

Ação e reação.

 

A reação criou a crença, virou dominação.

 

Sempre, ops, sempre não,

Houve usura, que virou banco.

 

Milhares de anos antes,

Quando da invenção do deus único,

Inventaram também a venda do perdão.

 

No séc XVII, encantaram o Estado,


Legalizado, legalizando a expropriação.

 

Anti a reação, reagimos,

Criamos a socialização.

 

Anti a nossa reação,

A reação reagiu,

Criou a crença do crime da socialização.

 

Anesino Sandice

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