Os registros das ações de um Estado chegam até nós, muitas vezes, por meio da própria Bíblia — testemunho de um poder que jamais foi laico. A fé, nesses contextos, não era separada da administração: era apenas mais uma engrenagem da máquina estatal.
No século XIX, surge o socialismo com pretensões científicas. E, junto com ele, o ódio dos exploradores. Como resposta “astuta” à ameaça da socialização, a burguesia inventa o chamado Estado de Bem-Estar Social. Mas, por trás dessa fachada, a ignorância continua sendo alimentada, aparentemente conduzida por lideranças religiosas que sonham, desde milênios, com um Estado teocrático — um “Evangelistão” qualquer.
Esse Evangelistão não apenas resgata ideologias do nazi-fascismo, como também reinventa antigas penitências. A lógica é a mesma: garantir lucros por meio da usura. Assim, a retomada de bens financiados — mesmo que falte apenas uma entre centenas de parcelas — perpetua práticas que antecedem o próprio Estado moderno. O medo religioso, transformado em chantagem política, serve de moeda para naturalizar e “humanizar” tais abusos.
A engrenagem publicitária desse tipo de Estado opera com maestria sobre as subjetividades. Distribui “pirulitos” aos adultos infantilizados, que aceitam desculpas travestidas de moralidade. E, nesse teatro, o inconsciente coletivo é conduzido a consentir com assaltos legalizados, acreditando que tudo não passa de penitência justa.
CRIA-SE CRENCAS
Até o séc XVII,
A humanidade trabalhava,
Trabalhava a terra,
Fora da terra, fazia guerra,
Além, da guerra, comercializava.
Até o séc XVII,
O emprego, era quase servil,
Exceto, é claro, quei o patrão,
Ops, "o serviço" fosse cuidar do rei?
Até o séc XVII, trabalhar,
Era imposição.
Aí, inventaram a máquina a vapor.
Criaram uma outra escravização.
Ação e reação, reagimos,
Primeiro, pura anarquia,
Depois o tamanco, "sabitagem"
Colocar tamancos nas esteiras.
A anarquia, virou ideologia,
A ideologia virou consciência,
A consciência, virou organização.
Ação e reação.
A reação criou a crença, virou dominação.
Sempre, ops, sempre não,
Houve usura, que virou banco.
Milhares de anos antes,
Quando da invenção do deus único,
Inventaram também a venda do perdão.
No séc XVII, encantaram o Estado,
Legalizado, legalizando a expropriação.
Anti a reação, reagimos,
Criamos a socialização.
Anti a nossa reação,
A reação reagiu,
Criou a crença do crime da socialização.
Anesino Sandice

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