domingo, 24 de maio de 2026

TOMO MMCCXXI DAS ETERNAS DISTRAÇÕES "MERDIÁTICAS"


Resgato uma narrativa que nunca aprendi na escola. Não por ter estudado em tempos de ditadura, mas porque certas histórias simplesmente não chegam até nós.

Um século depois, descubro o relato de uma jovem de apenas quatorze anos, casada e acusada de assassinar o marido. Diante do pelotão de fuzilamento, no exame médico obrigatório, a médica responsável ergueu a mão e declarou que não poderia atestar a licitude da execução: ali havia duas vidas, uma delas inocente.

Esse gesto simples — a mão erguida — abriu espaço para um novo julgamento. Nele, vieram à tona as violências familiares que a jovem sofria, e sua ação foi reconhecida como legítima defesa.

Confesso: quando me deparei com essa história, pensei em descartá-la. É doloroso demais. Mas não consegui.

As informações que recebemos, que moldam nossas opiniões, quase sempre chegam enviesadas. Não para nos levar a erros inocentes, mas para nos conduzir a juízos “úteis” a uma pequena elite.

Veja o caso recente: um figurão do “caldeirão” criticou programas de inclusão social. Quando a repercussão foi negativa, culpou a assessoria. Mas suas palavras foram ditas em um fórum, espaço onde deveria expor suas próprias ideias — não um texto preparado por terceiros.

Curioso é que esse mesmo “caldeirão” pertence à empresa que, anos atrás, ajudou a difundir a narrativa das obras inexistentes no igualmente inexistente triplex. Jornalistas ocuparam horas de televisão explorando o caso, mas esqueceram de visitar o imóvel para comprovar o fato.

A certeza foi construída pela intuição, pela repetição, pela “sapiência” daquilo que não existia. E essa certeza fabricada abriu caminho para o golpe de 2016. Com ele, vieram o sepultamento da previdência, o desmonte da CLT e a entrega do pré-sal.

O que sustenta tudo isso é o culto à falta de memória do brasileiro. Esquecimento conveniente, que serve tão bem aos interesses das elites entreguistas.

Volto, então, à jovem de quatorze anos. Sua execução foi interrompida porque estava grávida. No novo julgamento, sua inocência foi reconhecida. Não é uma história de superação como a do menino Henri, cujo agressor vai a julgamento hoje e que também frequentava o “caldeirão”. Mas é uma lembrança necessária: a mão erguida de uma médica pode mudar destinos.


ESQUECIMENTO:


Lá no primária, se esquecesse,

De um acento,

Um ponto a menos.


Lá, no ginásio, tal esquecimento, 

Lembro de algo,

Que nunca nos lembraram,

Vivíamos uma ditadura. 


Não, por não nos lembrarem, 

Mas, por não teremos nos ensinado,

Quase toda minha geração, 

Cai no conto do cavalo, 

Não de um cavalo qualquer, 

Mas, do cavalo "manco".


Então, eu, um setentão,

Perguntaria aos universitários:

Quando nós nos esqueciámos?

"Relapso"!


Mas, quando a tal mérdia esquece?

É puro esquecimento. 


Eu o setentão desmiolado, 

Recuo no tempo, 

Recentemente, um certo PowerPoint, 

Onde simplesmente se esqueceram, 

De todos os rumores, "hoje, quase"?


O cara do atual chilique,

Chilique, de rico é chique.


O tal cara do chilique,

É o cara que recebia no caldeirão, 

Tudo que era amigo,

Da turma do último PowerPoint. 


Anesino Sandice



Nenhum comentário:

Postar um comentário

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog