Nossa mãe, Dona Maria Aurora, nunca foi mulher de ciúmes. Tinha, sim, uma ternura especial por dois dos nossos dez irmãos — ambos marcados por algo que, na infância, não compreendíamos: a epilepsia. Um deles era o Manoel Alves dos Santos, o nosso Manelão.
O Manelão sempre esteve pronto para ajudar. Era daqueles que chegavam antes de serem chamados, que ofereciam o ombro antes que a lágrima caísse. Lembro-me bem: no dia do aniversário dele, minha filha tinha apenas dois meses de vida. Ele estava indo visitar nossa mãe no Hospital Brigadeiro, quando aconteceu o incêndio do Shopping Center Três. Ontem, dia 10 de maio de 2026 — Dia das Mães —, o Manelão nos deixou.
A consciência da finitude da vida nos ensina que tudo o que vive, um dia, se apaga. Mas essa certeza não diminui a dor da perda. Há dores que não se medem, não se comparam, não se explicam. Para nós, os outros nove irmãos, é o primeiro a partir. E não há escala possível para classificar o vazio que fica — nem o das filhas, nem o da esposa, nem o do neto.
Nosso irmão, que chorou a morte de nossa mãe no dia do próprio aniversário, parte agora no Dia das Mães. Há simbolismos que nem o tempo consegue apagar.
Nossos sentimentos a todos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário