segunda-feira, 11 de maio de 2026

TOMO MMCCVII MEU IRMÃO MANÉ & NOSSA MÃE


Nossa mãe, Dona Maria Aurora, nunca foi mulher de ciúmes. Tinha, sim, uma ternura especial por dois dos nossos dez irmãos — ambos marcados por algo que, na infância, não compreendíamos: a epilepsia. Um deles era o Manoel Alves dos Santos, o nosso Manelão.

O Manelão sempre esteve pronto para ajudar. Era daqueles que chegavam antes de serem chamados, que ofereciam o ombro antes que a lágrima caísse. Lembro-me bem: no dia do aniversário dele, minha filha tinha apenas dois meses de vida. Ele estava indo visitar nossa mãe no Hospital Brigadeiro, quando aconteceu o incêndio do Shopping Center Três. Ontem, dia 10 de maio de 2026 — Dia das Mães —, o Manelão nos deixou.

A consciência da finitude da vida nos ensina que tudo o que vive, um dia, se apaga. Mas essa certeza não diminui a dor da perda. Há dores que não se medem, não se comparam, não se explicam. Para nós, os outros nove irmãos, é o primeiro a partir. E não há escala possível para classificar o vazio que fica — nem o das filhas, nem o da esposa, nem o do neto.

Nosso irmão, que chorou a morte de nossa mãe no dia do próprio aniversário, parte agora no Dia das Mães. Há simbolismos que nem o tempo consegue apagar.

Nossos sentimentos a todos.  

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