terça-feira, 5 de maio de 2026

TOMO MMCCI O TARDIO FIM DE UMA ERA


Poucas vezes na história o fim de uma era foi tão anunciado quanto o do império ianque. Não que os Estados Unidos sejam um império nos moldes antigos — mas o comportamento, ah, esse é bem imperial.

Pra entender o nascimento desse “império”, é preciso lembrar que nada na história começa de um dia pro outro. Assim como uma gestação, há um longo preparo. Voltar ao século XV seria didático, mas repetitivo. Melhor ir direto ao ponto: antes mesmo da corrida pelo ouro, as invasões europeias já traziam consigo o pacote completo — religião, cultura, poder e, claro, ambição territorial. E foi ali, na fração nordeste do que viria a ser os EUA, especialmente Nova York, que se instalaram os cristãos-novos — judeus convertidos — os grandes fabricantes de armas. Desde então, o lucro das guerras virou o combustível do “império do mal”.

Avançando no tempo, depois da Segunda Guerra, nasce o Estado de Israel, pequeno e estratégico. Mas o verdadeiro divisor de águas veio em 1971, quando o ouro deixou de ser o padrão econômico mundial. Três anos depois, o “petrodólar” assumiu o trono. O poder americano passou a se sustentar não só nas armas, mas no controle do dinheiro e do petróleo.

Vieram as ameaças, os golpes de Estado em países “subdesenvolvidos”, e o congelamento de bilhões russos quando a Ucrânia foi invadida. Só que o mundo mudou. O BRICS já existia, o Brasil já tinha inventado o Pix — um sinal claro de que o comércio global não precisava mais se ajoelhar diante dos sistemas privados de pagamento.

Nos últimos anos, o Brasil vendeu parte de suas reservas em dólar e começou a negociar em moedas dos parceiros. Resultado: menos dependência, menos custo. O ouro voltou a subir, e o dólar, que já passou dos seis reais, caiu pra menos de cinco. O império ianque, antes dono das sanções, agora assiste ao mundo se reorganizar sem pedir sua bênção.

O BRICS cresce, o Irã entra no grupo e usa sua geografia pra travar o transporte do petróleo saudita — golpe direto no coração do petrodólar. O poder americano se esvai, lentamente, como um castelo de areia na maré da multipolaridade.

E o Brasil? Falta uma elite que queira construir uma nação. Falta vontade de ser soberano. E talvez falte também que as lideranças religiosas deixem de abençoar os entreguismos dessa mesma elite. Porque, no fim das contas, o império pode estar ruindo lá fora, mas aqui dentro ainda há quem adore o som das correntes.

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