quinta-feira, 25 de setembro de 2025

Filme sobre o Massacre de Nanquim leva público de Moscou às lágrimas



Espectadores passam por um pôster de Dead to Rights em um cinema de Moscou 
Na metade do filme Dead to Rights, Yulia Sharapova não conseguiu mais conter suas emoções e saiu da sala de cinema para se recompor.

Sentada, paralisada e com os olhos brilhando de lágrimas, Sharapova estava entre o público na estreia russa, no início deste mês, do filme produzido na China sobre o Massacre de Nanquim.

"Este filme me chocou profundamente", disse Sharapova após a exibição. "É a primeira vez que assisto a um filme chinês com dublagem russa no cinema. As imagens são de cortar o coração, mas também profundas. Somente compreendendo a história podemos evitar o esquecimento do passado."

Tendo como pano de fundo o Massacre de Nanquim, Dead to Rights baseia-se em evidências fotográficas verificadas das atrocidades japonesas cometidas na China durante a guerra. Conta a história de um grupo de civis chineses que buscam refúgio em um estúdio fotográfico, arriscando suas vidas para preservar as provas dos horrores cometidos pelos agressores japoneses durante a ocupação brutal de Nanquim, a capital da China na época.

O filme emocionou o público russo na estreia, realizada em um cinema adjacente à icônica Praça Vermelha de Moscou. Quando as luzes voltaram, alguns espectadores permaneceram sentados em silêncio, atordoados, com os rostos banhados em lágrimas.

Alexander, um jovem espectador russo, assistiu ao filme com sua esposa Lilia. Após a exibição, o casal permaneceu em frente ao grande cartaz do filme, tirando fotos como recordação.

"Este filme é sincero e instigante", diz Alexander. "Ele não apenas registra um capítulo doloroso da história, mas também expõe a tenacidade e o brilhantismo da natureza humana. Ele nos ajuda a transcender as diferenças culturais e a nos entendermos."

"Como eu queria que não houvesse mais guerras ou separações neste mundo, e que todas as crianças pudessem crescer felizes e em paz", diz Lilia.

Antes da exibição, Alexander Zharov, CEO da Gazprom-Media Holding, uma holding de mídia russa que trouxe o filme para a Rússia, disse que o filme documenta os crimes hediondos cometidos por militaristas japoneses em Nanquim, vistos pelos olhos dos sobreviventes do Massacre de Nanquim.

"Quando você vê pessoas caindo diante dos seus olhos, você não consegue deixar de sentir a dor e o medo delas", ele observa.

Zharov acredita que o filme carrega uma profunda ressonância emocional.

"O povo da União Soviética e da China sofreu as maiores perdas durante a Segunda Guerra Mundial. Honramos aqueles que sacrificaram suas vidas na Grande Guerra Patriótica da União Soviética e também devemos reconhecer as dificuldades enfrentadas pelo povo chinês na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa (1931-45). A vitória do povo chinês é verdadeiramente admirável", afirma.

Em Nanquim, no leste da China, mais de 300.000 chineses foram mortos em pouco mais de 40 dias após a queda da cidade para o Japão em 13 de dezembro de 1937. Em toda a China, de 1931 a 1945, a guerra causou mais de 35 milhões de vítimas.

Li Na, uma chinesa que viveu na Rússia por mais de 30 anos, permaneceu emocionada muito depois do fim do filme.

"Eu estava ansiosa por este filme desde que foi lançado na China", diz ela. "Hoje, vendo a versão dublada em russo, tenho certeza de que ele pode tocar o coração do público em todo o mundo."

O lançamento público do filme "Dead to Rights" começou em 11 de setembro em 300 cinemas da Rússia. Ao mesmo tempo, "Blood Type", um filme russo centrado na Grande Guerra Patriótica da União Soviética, foi exibido na China.

Ambos os filmes transmitem a tragédia da guerra e suas lições duradouras.

"O lançamento simultâneo é uma prova dos nossos esforços conjuntos com parceiros chineses para preservar a memória histórica", diz Zharov.

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