"ENTRE A ESPADA E O ARADO"
"Há uma nada, sútil diferença,
Em um molusco e o capetão,
O segundo, armamentista,
Expõe, até nos púlpitos das igrejas,
Armas, de fogo, sem artifício",
Enquanto o primeiro, questiona,
Os desumanos gastos bélicos.
Os gastos bélicos, dos amantes do segundo,
Matam.
Os sonhos do primeiro, ceifa,
Não a vida, mas a fome.
De controverso, o segundo,
Exala em palavras, uma hipócrita religiosidade,
Levando uma multidão de "doutores da fé",
A uma nada controversa, defesa,
Defesa de um Cristo bélico,
Que, por criminoso, contra as elites,
Fez jus, como Sócrates,
À pena capital.
Santo Semfé
Honestidade, ainda que lembre, da hipocrisia, da primeira missa que me lembre, não lembro, exatamente do dia, mas, me dói, a hipocrisia, dos "ditos" cristãos, isto em 1958, quando, as catingas, fomentavam a igualdade, as práticas, a desunião.
"Que toda as espadas,
Deixem, até a posição de repouso,
Lâminas para baixo,
Assumam o útil papel,
Do metal, em tempo de Paz,
Que, as lanças, igualmente,
Percam a beligência,
E para a Paz, ajude a alimentar,
Como ocinho,
Foice, para o corte de capim,
Leve o pão a todos os lares.
Anesino Sandice
O Messias da Fome e o Farisanato da Bala
Viajo, instantaneamente, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. As múltiplas igrejas evangélicas transformaram-se em um mar de camisetas amarelas, num coro uníssono para eleger o “capetão” dos apelos bélicos, em pleno altar. O voto desses supostos cristãos era, nada veladamente, panfletado por fariseus dos tempos modernos. Preferiam eles o ladrão: um ladrão de vidas em plena pandemia, um ladrão das joias do erário, um ladrão privatista dos bens públicos — sempre contra as falas de paz.
Não há como a paz conviver com a fome. O adversário desse insalubre Messias falava de combate à fome, enquanto o Messias, rotulado de mito e capetão, conclamava a liberdade do tiro. O adversário já havia governado antes, sem fechar nenhuma igreja. Ainda assim, a acusação de fechamento de templos ecoava nas igrejas que nunca haviam sido fechadas.
O “farisanato” replicava pregações inexistentes. Felizmente, no segundo turno, não lograram conduzir o futuro do país pelos descaminhos desse Messias. Mas, infelizmente, quatro anos antes, a desgraça já havia sido feita. No primeiro turno, consolidou-se a tragédia: milionários não foram taxados, e quando eles não pagam impostos, sobra para quem? Para o povo.
Há uma cumplicidade ativa e efetiva das lideranças religiosas. Tudo passa pelo não ler das escrituras, pelo não compreender que os profetas anunciavam a vinda de um Messias da reconstrução, não de um bélico capetão. O farisanato conclamou o povo a preferir um ladrão — um ladrão armamentista — em vez de um Messias que pregasse o combate à fome.

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