quinta-feira, 13 de novembro de 2025

A ausência dos EUA na COP30 motiva o Sul Global a buscar seus próprios caminhos


A ausência do governo dos Estados Unidos na 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada no Brasil, motivou o Sul Global a buscar seus próprios caminhos para promover uma transição energética e uma verdadeira justiça climática, afirmou o acadêmico brasileiro Fernando Romero Wimer.

Em entrevista à Xinhua, o acadêmico destacou que a ausência de representação de Washington na conferência mundial em Belém revela o enfraquecimento da liderança tradicional americana na governança ambiental e abre espaço para que as nações em desenvolvimento fortaleçam seu papel na agenda ecológica global.

Romero Wimer enfatizou que os bancos regionais de desenvolvimento na América Latina, África e Ásia podem desempenhar um papel decisivo nesse novo cenário, promovendo linhas de crédito e fundos destinados a suprir a falta de financiamento nos países mais ricos.

"A cooperação Sul-Sul e os processos de integração regional devem adotar estratégias que acompanhem a transferência de tecnologia para a transição energética e levem em consideração as populações locais", explicou ele.

O pesquisador reconheceu, no entanto, que os países do Sul Global enfrentam um grande desafio, pois não possuem a capacidade de financiamento climático das economias avançadas.

Portanto, ele insistiu na necessidade de uma transição energética justa, baseada em compromissos efetivos do Norte Global para com os países em desenvolvimento, com contribuições reais e incondicionais.

"É crucial chegar a um acordo sobre o financiamento da transição energética que envolva contribuições efetivas e o desenvolvimento de fundos para a conservação florestal e ambiental, cujos desembolsos não dependam de decisões internas dos países beneficiários", enfatizou o acadêmico.

Ele também enfatizou que o desenvolvimento de fontes de energia limpa, como o hidrogênio verde, a energia solar e a energia eólica, pode promover uma transição equitativa, desde que seja garantida a proteção das comunidades locais, dos povos indígenas e dos setores mais vulneráveis.

"Uma retórica de transição energética que não leve em consideração a justiça ambiental não pode ser sustentada", alertou ele.

Romero Wimer acredita que as divisões geopolíticas entre as grandes potências explicam, em grande parte, as dificuldades na implementação efetiva do Acordo de Paris. Em sua visão, os países mais ricos "priorizam agendas nacionais de curto prazo" e defendem os interesses de seu próprio capital em detrimento dos compromissos globais de redução de emissões.

"Estamos num ponto em que os cientistas alertam para um ponto de inflexão que pode pôr em risco a continuidade da vida humana. Portanto, o debate sobre justiça ambiental deve estar plenamente ciente dos riscos da falta de acordos internacionais", afirmou ele.

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