quinta-feira, 27 de novembro de 2025

TOMO MMXXII - TEM CARTOLA NESTE COELHO


a) há, uma infinidade de mundos,

Nisto que chamamos de mundo,

Há, quem diga, que muitos destes mundos,

Sejam, mundos sem fundo,

Tipo, um fundo milionário de investimentos,

Algo, que se vende como um cassino,

Um hipotético cassino, onde todos ganham,

Sim, exatamente isto, uns ganham,

Milhões de Reais, dos que ganham,

Um buraco sem fundo,

Em suas contas 


Anesino Sandice 


O sequestro da religião e a inversão dos valores

A primeira lição que a história nos ensina é a capacidade de transformar o certo em errado e o errado em certo. Esse processo, ao longo dos séculos, foi viabilizado pelo sequestro da religião. Há quase dois mil anos, quando o cristianismo se consolidou como religião dominante no mundo economicamente conhecido, passou a ser chamado de universal — ou, como ficou registrado, catolicismo.

A inversão de valores começa pela descaracterização do Cristo da Paz. A extrema direita, ao longo da história, reinterpretou sua mensagem para justificar o acúmulo exagerado de bens e poder. Esse movimento nos remete à Reforma Protestante, quando o discurso da “moralidade” emergiu em meio a uma corrupção real e palpável, em um mundo política e economicamente controlado pela Igreja Católica.

Ainda que a conversão ao protestantismo tenha sido posterior, o sequestro da fé cristã já estava em curso. Esse processo se entrelaça com a invasão e ocupação do chamado “Novo Mundo”, que se transformou na meca da economia, da política e, sobretudo, do poderio bélico mundial.

A extrema direita estadunidense encontrou terreno fértil nesse contexto. A Segunda Guerra Mundial, embora global, não devastou as Américas. O continente foi poupado da destruição, o que permitiu aos Estados Unidos emergirem como potência econômica e militar.

Na Europa devastada, a vitória trouxe diferentes visões sobre economia. A União Soviética, com seu modelo comunista, passou a ser demonizada por aqueles que sequestraram o discurso do Deus único. O comunismo foi associado ao mal absoluto, enquanto o capitalismo, mesmo com suas contradições, foi santificado.

O “cassino mundial”, que na Idade Média era proibido pela fé católica, foi liberado pela Reforma Protestante e tornou-se símbolo do acúmulo de capital. A Revolução Russa, ao propor uma alternativa ao capitalismo, foi imediatamente amaldiçoada. Ainda que os crimes cometidos sob o regime soviético existissem, eram em escala menor do que os praticados pelo capitalismo global. Mas, por não serem capitalistas, foram tratados como diabólicos.

Essa inversão de valores, sustentada pelo sequestro da religião, continua a moldar a política e a economia mundial. O discurso religioso, manipulado, legitima desigualdades e perpetua estruturas de poder que se apresentam como divinas, mas que, na prática, servem apenas aos interesses de poucos.

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