Assim que minha família mudou para Sampa, a nossa, na época, eterna terra da garoa, havia duas coisas certas, além do cantar do galo, as explosões da pedreira, a primeira às onze da manhã, que era a prévia do sinal do final das aulas, isto claro, quatro anos depois de nossa chagada, a outra, às quatro da tarde. Anos se passaram, saímos de perto de duas pedreiras, e mudamos para perto de uma outra.
Entre nossa chegada a o final das atividades destas pedreiras, houve o golpe de Estado e, é claro, a "babação" de ovos, das pessoas, que em virtude do catolicismo, até então, amplamente majoritária, que mesmo não sendo, apoiava as obtusas ideias da liga das senhoras católicas. Até pela mesma obtusa opinião do padre da região.
Outro motivo, além do religioso, era aquela mesma velha submissão, que a mesma igreja católica ensinava a séc, afinal, como um escravizado, poderia aceitar, nunca passivamente, a escravização, sem as inalcançáveis esperanças de uma recompensa pós-morte.
Para o desespero de minha mãe, "D. Maria Aurora" minha passividade para com os milicos golpistas, não chegaram nem mesmo ao primeiro ano escolar. Antes mesmo dos cinco anos, perguntei ao padre: como o senhor fala em honestidade e recebe dinheiro de quem rouba? Claro, ouvi, um você está mentindo.
Não é da lembrança da surra que levei, por acusar o emprego de um rico comerciante e amigo da família, mas ainda por ter questionado o padre, algo que ninguém, naquela comunidade, jamais fez.
Ainda no período da ditadura, a população enaltecia nas "surdinas" o fato dos militares ter fechado as pedreiras, ficava muito perto das residências, nenhuma alusão ao "suposto" roubo pelos "supostos" terroristas do arsenal do quartel do exército. Ainda que não estivéssemos mais na escola, perdi meu relógio.
O grande problema, é que aquela mesma população, que apoiava por indução religiosa, a ditadura militar, que engrossou as fileiras de uma teologia da libertação, fez o mais completo "direita volver" quando a mesma igreja abandonou o "Cristo do novo testamento".
A questão, ainda que passe pela religião, ela é exclusivamente política. Aquele apoio à ditadura, voltou, pelo mesmo movimento de direita volver, a apoiar os defensores de uma nova ditadura, "os entulhos autoritários" do ex-despresidente. Aquela turma que assim como os padres que até falavam aos donos dos pelorinhos, que deveriam evitar tal conduta, mas, nunca chegou ase indispor contra a escravização.
Hoje, os mesmos velhos "quadrilheiros" donos dos pelorinhos, ou adeptos da submissão aos ditames dos milicos, aqueles que imploram, tanto por punições para quem rouba um pedaço de pão, "lembrem-se" roubar pão, tem o mesmo peso da fuga de um escravizado, já viver explorando a mão-de-obra escravizada e ser generoso das "coletas" aí tudo bem.
Se é difícil para nós imaginarmos um suco de abóbora, isto no entanto, deve ser plausível, para quem é contra ao mesmo tempo, as saidinhas de pobres e favoráveis à impunidade do andar de cima.

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