No picadeiro, o artista se esmera, dá o melhor de si, vive feliz com sua arte, mas, quem enriquece é o dono da lona, cujo, o risco foi ser herdeiro, sem ter trabalhado antes, sem trabalhar depois. Ele só corre o perigoso risco do artista ganhar consciência de classe e, ao ganhar tal consciência, fazer com que o público que paga seus minguados recursos para uma diversão possível, ganhe também a mesma consciência subjetivamente veiculada pelo artista, se revele contra o herdeiro dono do pano, e o faça trabalhar. Assim, caso queira ter o pão na mesa, ah, o pano, que já era a casa do artista, passa a ser também a casa do dono do pano. Isto seria só um passo.
Sempre que sou contestado, por minhas aparentes múltiplas criatividades, lembro das minhas incipientes "aulas, pelo pouquíssimo tempo" no ambiente teatral, as necessidades do pão, me levaram ao chão da fábrica, e esta, ao sindicato, que me levou, a uma visão "mínima" de que existe classe social, ou seja, que há um dono do circo, que efetivamente, não se expõe no picadeiro, mas, que embolsa os excedentes do caixa.
Claro, há artistas, tipo, a ex-namoradinha, que no picadeiro, se acreditava, a dona da lona, que por ganhar mais que as pessoas da plateia, acreditava igualmente, ser dona da lona, então pensando como se dona da lona fosse, era na verdade, plateia, que assim como os demais, apenas paga, por um "vapor barato".
Infelizmente, estou a Lima Barreto, ou seja, constando que no Brasil, sobra plateia, falta então, o povo.
Lendo, os pensamentos dos patriotários, aqueles patriotas que reverenciam a bandeira estadunidense, que em nome desta reverência, crêem, ser o máximo, "comprar as peles de frango" antes da eleição do mito, apenas, poluiam o meio ambiente, em um aterro sanitário irregular qualquer, mas com a eleição do inominável, virou "proteína" nas mesas de parte considerada da população, muitos, como a ex-namoradinha, que mesmo "comendo o pão que o diabo amassou", se sente dono dos meios de produção e, pensam, (enquanto comem estas peles " antes descartados de frango" como faisão, fosse). Esta e impercorrível distância, tanto do picadeiro para o dono do pano, ou da plateia, para a propriedade.
Claro, infelizmente, há muitos artistas que se comportam como a ex-namoradinha, que não tem a menor ideia do que seja consciência de classe, mas, é justamente a incontável presença destas "namoradinhas" e não é bem no meio da plateia, já, que nesta plateia, via de regra, quem ganha a eleição é o centro.
Na política, o centro, é apenas um artista, que não se assumir de direita, age, como no picadeiro "divertindo, leia-se ludibriando" o povo para que este não adquira consciência

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