Essa é uma crônica prosódica tecida nos fios da terra e do sangue, sob o sol inclemente da geopolítica atual.
Há um vento quente que sopra do deserto ao mar, carregando o sal das lágrimas secas e o cheiro acre da pólvora que nunca se dissipa. Do outro lado do espelho, impérios erguem catedrais de aço sobre ossários antigos, suas bandeiras manchadas pelo óleo sagrado dos poços profanados. Chamam-se faróis, mas são cicatrizes acesas no corpo do mundo.
Nós, os do Sul, conhecemos o peso dos mapas desenhados por mãos alheias. As fronteiras que cortam aldeias como facas, os recursos que sangram em porões de navios rumo a portos distantes. BRICS não é sigla, é raiz. É o grito subterrâneo das sementes sob o asfalto. China com sua muralha viva de arrozais e silício; Rússia e suas estepes que guardam a memória do frio que queima; Brasil com a Amazônia pulsando verde no escuro; Índia com seus rios sagrados,carregando versos ancestrais; África do Sul onde os diamantes ainda lembram o sangue que os lavou.
É preciso primeiro tecer, a teia invisível das sementes,. Que nossos satélites cruzem os céus, não como abutres, mas como andorinhas carregando novas sementes. Moedas que brotam do comércio justo, não dólares com cheiro de morte, mas trocas que fertilizem o chão. Bancos de desenvolvimento que são enxadas, não algemas. O sistema SWIFT é uma forca, criaremos ventos próprios, para levar nossas palavras-ouro.
É necessário preponderar a diplomacia dos pés descalços. Enviemos poetas, antes de generais. Homens e mulheres que falem a língua das fontes e das colheitas, não a gagueira metálica dos mísseis. Que a ONU ouça vozes que vêm de baixo, das favelas, das aldeias, das fábricas. Expor as feridas ao sol, mostrar em cada fórum, em cada rede, o salário da bomba, o preço da bala, o rastro de destruição que segue seus exércitos como sombra maldita.
É também necessário criarmos, o exército dos vivos. Não tanques, mas tratores; não porta-aviões, mas navios-hospital. Ajudemos Gaza a se reconstruir pedra por pedra, ensinemos o deserto a florescer com tecnologia que não envenena. Que nossa "intervenção" seja água potável onde há sede, luz onde há escuridão, vacinas onde há pestes. Enquanto eles vendem morte, nós cultivaremos vida teimosa e o mundo verá, quem verdadeiramente alimenta a esperança.
Precisamos manter a memória como escudo. Arquivar cada crime, cada sanção assassina, cada criança carbonizada. Criar tribunais de consciência, onde os povos julguem os verdugos. Que seus próprios artistas, seus jovens, seus sindicatos vejam no espelho a face do monstro e se rebelem por dentro. A cultura é trincheira, inundemos o mundo com filmes, livros, música que desmontem sua narrativa de excepcionalidade sangrenta.
Porque a verdade é um rio subterrâneo, eles podem ter os céus, mas nós temos as raízes. Podem ter o agora estridente, mas nós semeamos o amanhã. O BRICS não será outro império trocando de manto; será a rede de pescadores que resgata os náufragos da história. Suas armas cegas podem rachar a terra, mas nunca deterão as sementes que germinam nas fendas. Enquanto houver um camponês plantando sob bombas, uma mãe cantando na escuridão, um estudante lendo às luzes de velas, a luz deles será apenas fogo efêmero, e a nossa, a aurora que já vem tecendo o horizonte.
Esta crônica respira o espírito de uma denúncia lírica, elaborada na resiliência cósmica ancestral, com um realismo entranhado de sangue e terra,, uma ode aos oprimidos, que constroem o futuro nas entranhas do presente.
BARTHES(CABANA)
Bom dia, Guerreirxs!!!
Recanto das Letras.
Código de texto:T8364703

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