Conheci os amantes de um Cristo cristofóbico. Isso aconteceu na primeira lembrança que tenho de uma missa. Nesta visita fui "quase arrastado pela mão". Nesta lembrança não há nenhuma imaginação de nada que poderia ser vivenciado durante a escravização, quando pobres escravizados tinham que esperar os escravocratas para poder fazer suas orações. Eu, com cinco anos de idade, não percebi nenhuma discriminação, porém cantiga entoada martela em minha cabeça a quase sessenta e oito anos.
" Para mim, a chuva no telhado,
É cantiga de ninar,
Mas, o pobre meu irmão,
Para ele é chuva fria,
Pois a chuva vai entrando em seu barraco,
E faz lama pelo chão".
O público que entoava a cantiga, era a elite da Vila Brasilândia, para onde acabávamos de mudar. Conheci o Cristo cristão, no final da década seguinte, primeiro com os dominicanos, que entraram nas resistências à ditadura, este Cristo verdadeiramente cristão, só pode ser encontrado, quando separamos o novo do velho testamento, o Cristo citado no velho testamento, aparece apenas nas profecias, que prediz, que viria um Messias, "um salvador" para restaurar a glória do povo de Deus.
Quando alguém fala em uma igreja cristã pentecostal, ou não tem a menor interação com a leitura, "é um analfabeto funcional", que precisaria aprender a ler, para depois pretender pregar os ensinamentos cristãos. Se não é analfabetismo, é maldade mesmo. Além de fazer a manutenção de uma sociedade explorava, ainda se locupletam, com um enriquecimento ilícito, via cobrança de um dízimo, que também não tem referência nenhuma no novo testamento, ou seja, não deve haver cobrança de dízimo, numa igreja cristã.
Se historicamente, este Cristo cristofóbico, nas com Constantino, "conversão pessoal do imperador", se estabelece como religião oficial do Estado, com Teodósio. Aquilo, que para aquela criança, já não mais com cinco anos, mas aquele que conheceu o Cristo realmente cristão, com os dominicanos. É impossível servir a dois senhores: ou o Cristo, é cristão, e opta pelo povo pobre, ou ele está a serviço do Estado explorador e, é um Cristo cristofóbico, aquele Cristo que vai à avenida Paulista pedir claramente por um golpe de Estado?

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