Não tenho a "pseudo-moral" burguesa como regra. O passado espanhol de alguém não entra nos meus julgamentos. Já a invasão do sistema nacional de justiça, ou a criminalização de uma prática que ocorre há décadas — a centralização das urnas eletrônicas na sede de um sindicato em Catanduva, divulgada como "uma certa manipulação das mesmas" — claro, como sempre, sem o menor indício de provas. Quanto mais a pública e incontestável perseguição a um jornalista negro nas vésperas do segundo turno das eleições de 2022, aquela que, por não aceitar o resultado, motivou as ocupações de estradas e as frentes de quartéis, culminando com a invasão das sedes dos três poderes. Tenho, então, motivos de sobra para comemorar a prisão ocorrida na Itália.
Na mesma esteira de comemorações, o prazo final para o cara do PowerPoint pagar uma indenização perdeu em última instância ao presidente Lula. Além de bater no peito e se dizer injustiçado, que ainda repetiria mil vezes a mesma ação, cabe, então, não o festejar, mas justamente a necessidade de reflexão.
Primeiro, temos o futuro, pós as consequências da farsa-jato, não só aquilo visível — as mais de setecentas e cinquenta mil mortes pela COVID, as filas para a compra de pele de frango e dos ossos que mormente vão para a fabricação de botões e ração animal, como única fonte de proteína para seres humanos. A questão não é, e por sinal, passa muito longe da questão moral.
Porém, levantar a lebre sem apontar uma saída é uma prática contumaz dos agrupamentos direitistas, aquelas práticas que não só fazem uso das faltas de saber, como os estimulam, como forma de perpetuar o domínio da ignorância.
Para superar a ignorância, para superar as fábricas de ignorância, só múltiplas fábricas de cultura. O que distingue a humanidade de outras espécies é a fala. Então, o estímulo a esta fala deve ser a arma para que enfrentemos as trevas propagadas pela extrema direita.
Fala é o produto básico da poesia, a poesia, como palavra, está presente nas músicas. A poesia também está no carinho com o qual produzimos nossas alimentações. Foquemos na poesia enquanto palavra. Falando em poesia, falamos então de sarau.
Precisamos, pois, multiplicar o público dos saraus. Mas não o público enquanto público platéia, mas nos saraus, não há platéia, há um convite sempre aberto para a participação.
Viva a poesia, viva o sarau.
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