O presidente argentino de extrema direita radical, Javier Milei, acabou com o estatuto de refugiado político do ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, um dos líderes da América Latina com quem teve curtos-circuitos. A decisão foi anunciada na quarta-feira pelo porta-voz presidencial.
Numa breve mensagem no X, Manuel Adorni disse que “o estatuto de refugiado de Juan Evo Morales Ayma foi extinto. Fim", embora o governo não tenha explicado as razões da decisão alinhadas com a sua ideologia de rejeição a movimentos sociais e trabalhistas.
O peronista Alberto Fernández, antecessor de Milei e governante entre 2019 e 2023, concedeu a Morales o status de refugiado poucos dias depois de assumir o poder em 10 de dezembro de 2019, quando o líder boliviano chegou à Argentina após renunciar ao cargo de presidente, em meio aos protestos coloridos gerados em seu governo depois de se declarar vencedor numa eleição controversa.
Naquela época, o governo Fernández não reconheceu a administração de Jeanine Áñez, que assumiu o poder após a renúncia de Morales. Após uma breve estadia no México, o ex-presidente boliviano escolheu a Argentina como destino para fugir do que considerou uma perseguição política.
Morales governou a Bolívia durante 14 anos (2006-2019) - apoiado pelo Movimento ao Socialismo (MAS) - e tem sido um duro crítico das políticas de ajustamento de Milei, chegando mesmo a mencionar numa ocasião a possibilidade de o direitista não terminar o seu mandato de quatro anos.
Milei, líder do La Libertad Avanza, acusou Morales e outros líderes de esquerda de quererem consolidar-se no poder no planeta.
Atualmente, Morales faz parte de protestos massivos contra o presidente boliviano Luis Arce, que era seu herdeiro político e aliado, e com quem disputa agora a liderança e o controle do aparelho partidário antes das eleições presidenciais de 2026.
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