sábado, 5 de outubro de 2024

Quando o último imperador do Brasil foi ao Egito

When the last emperor of Brazil went to Egypt

Em 5 de novembro de 1871, um grupo de 15 viajantes, entre eles o célebre arqueólogo francês François Auguste Mariette, fundador do Museu Egípcio no Cairo, chegou às pirâmides de Gizé, após participar de um missa em uma igreja franciscana.
Chefiando a trupe havia um convidado especial: Dom Pedro II. O então imperador do Brasil não foi apenas o primeiro chefe do Estado brasileiro a viajar ao Império Otomano e Oriente Médio, como o primeiro líder das Américas a visitar o Egito.

“Parecem pequenas até chegar a elas e só se faz ideia da altura da grande pirâmide quando se observam os que por ela trepam e vão-se tornando cada vez menores”, escreveu Dom Pedro em seus diários, parte do extenso arquivo do Museu Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. “Subi facilmente ajudado pelos árabes e no cimo reunimo-nos mais de trinta … Logo que atingimos o alto da pirâmide soltamos muitos hurrahs, agitamos os lenços”.

Dom Pedro II e sua esposa, Dona Thereza Cristina, partiram do Rio de Janeiro, então capital do país, cinco meses antes para sua primeira viagem internacional, ao delegar as responsabilidades do trono a sua filha, a princesa regente Isabel.

Conhecido por seu interesse em culturas e idiomas distintos, com ênfase no mundo antigo e na emergente arte da fotografia, Dom Pedro II, com 46 anos, embarcou em uma jornada que durou 11 meses e o levou à Europa e ao Oriente Próximo.

“Subi facilmente com a ajuda dos árabes, e lá em cima éramos mais de trinta”,
 escreveu D. Pedro II em seus diários

Roberto Khatlab, autor do livro As Viagens de Dom Pedro II (Benvirá, 2015), descreve a viagem, realizada ainda no século XIX, como revolucionária. “Dom Pedro II estudou e leu sobre o Oriente Médio, seu povo, sua cultura, seus idiomas e suas crenças”, explicou Khatlab ao Middle East Eye. “Em 1871, decidiu que era hora de conhecer a região”.

Após meses de viagem à Europa, onde visitou a França logo depois da queda de Napoleão III, e a Alemanha, ainda bastante jovem, de seu processo de unificação, Dom Pedro II chegou ao porto de Alexandria, na manhã de 28 de outubro, recebido com todo protocolo do Império Otomano. Entre a delegação de boas-vindas, estava o cônsul honorário do Brasil, Michel Debbané.

O grupo embarcou a seguir em uma extensa jornada transformada, que Dom Pedro II usou para explorar o país, estabelecer contatos e descobrir novas tecnologias e sabedorias ancestrais que poderiam beneficiar seu regime, além de torná-lo conhecido no Oriente Médio.

O Brasil se tornou conhecido no Oriente graças ao imperador e àquilo que o jornal em árabe da época publicou sobre sua visita”, destacou Khatlab. “Em minhas pesquisas, encontrei jornais [de arquivo] que apresentavam o Brasil a seus leitores; o imperador em si foi um dos fatores a atrair os árabes ao país”.

No 150° aniversário da viagem de Dom Pedro II ao Egito, em novembro de 2021, a embaixada do

Brasil no Cairo, em parceria com o Ministério da Cultura do Estado norte-africano, publicou pela primeira vez parte de sua coleção de fotografias sobre a turnê.

A exibição tinha como intuito celebrar os laços históricos entre Brasil e Egito ao trazer à luz um importante patrimônio brasileiro”, afirmou Fernanda Tansini, então adida cultural da embaixada brasileira no Cairo e organizadora do evento.

Com o título De volta ao Egito, a exposição tomou corpo no Centro de Arte Gezira, uma galeria situada no Palácio Príncipe Amry, no rico distrito de Zamalek. O evento se dividiu em duas salas: a primeira dedicada a Dom Pedro II e sua viagem de 1871; a segunda reservada a seu retorno ao país cinco anos depois. Em uma terceira sala menor, imagens da coleção pessoal do imperador são projetadas em looping.

Visitantes egípcios se surpreenderam ao ver essas imagens pela primeira vez e adoraram ver o país aos olhos de Dom Pedro II, por fotografias que ele mesmo tirou e pelo que ele escreveu em seus diários”, comentou Tansini. “Muitas pessoas me disseram que não conheciam a história do Brasil, que não sabiam que tivemos um imperador, muito menos que viajou ao Egito — ficaram fascinadas com essa história”.

Atraído ao Egito

A publicação Description de L’Égypte, de 1809 a 1828, uma compilação de pesquisas conduzidas no país durante a campanha militar de Napoleão Bonaparte e sua subsequente ocupação, junto dos hieróglifos decifrados em 1822, ajudou a criar uma onda de fascínio global pelo Egito e pelo Oriente Médio.

Dom Pedro I, coroado primeiro imperador do Brasil após declarar a independência de Portugal, em 1822, reuniu a maior coleção de artefatos egípcios da América Latina e certamente passou seu deslumbramento ao príncipe.
Pedro II foi coroado em 1841 com apenas 15 anos de idade. Logo desenvolveu um interesse nos campos da arte, fotografia e história antiga. O segundo imperador trocou correspondências com egiptólogos conhecidos e estudou 15 idiomas — entre os quais, o árabe. Em 1886, participou da tradução das Mil e Uma Noites, das quais notas não publicadas são mantidas no Museu Imperial de Petrópolis.

Acredita-se que Dom Pedro II foi a primeira pessoa do Brasil a registrar sua própria imagem em um daguerreótipo — processo primordial da fotografia. Sua paixão pela técnica o levou a reunir 23 mil fotos ao longo de sua vida, das quais 500 do Egito. As imagens são parte da Coleção Dona Thereza Cristina Maria, preservada pela Biblioteca Nacional, que também abarca livros, jornais, mapas e selos da época. A coleção é considerada Patrimônio da Humanidade e primeiro arquivo brasileiro a integrar o Programa Memória do Mundo da Unesco.
Devido à expertise limitada sobre a conservação fotográfica, a maioria de seus originais doados ao museu foi mantida intocada por quase um século. Somente em 2003, suas imagens vieram a público, por meio de uma exposição em São Paulo.

Quanto aos seus diários, conforme Khatlab, o imperador sempre carregou consigo um pequeno caderno, no qual costumava escrever no fim de cada dia, ao equilibrá-lo sobre seus joelhos ou sobre as pedras que encontrava no caminho, frequentemente à luz de uma vela.

O diário representa todo um texto sobre história, antropologia, sociologia, religião, arquitetura, costumes, botânica e tecnologia”, destacou Khatlab ao Middle East Eye. Os originais continuam em Petrópolis.

Tanto os escritos quanto as imagens equivalem a documentos e fontes valiosíssimos sobre toda uma era de profundas transformações históricas, a partir de uma perspectiva privilegiada. Ainda além, revelam fragmentos do pensamento da época e suas descobertas científicas, assim como suas relações diplomáticas e toda uma diversidade política, cultural e social.

São uma tremenda fonte de informações, pouquíssimo estudada”, comentou Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, então coordenador do programa digital da Biblioteca Nacional, ao Middle East Eye. “Não temos, até este momento, uma coleção como essa em todo o mundo. É isso que a torna especial”.

Fortalecendo laços
Além do fascínio de Dom Pedro II com a história e a arqueologia do Egito, o que o atraiu ao país foi também sua intenção de fortalecer laços políticos e comerciais e forjar contatos. Dom Pedro expressou seu desejo de se familiarizar com novas tecnologias e conhecimentos de agricultura, indústria e infraestrutura, potencialmente úteis ao desenvolvimento do Brasil.

No ano de 1858, ambos os impérios — brasileiro e otomano — assinaram um pacto de amizade, comércio e navegação. Em 1865, Dom Pedro enviou um cônsul honorário a Alexandria, o libanês Debbané, focado em robustecer pontes econômicas e diplomáticas com a região. A chegada de Dom Pedro II ajudou nas relações.

Sua primeira viagem, em 1871, foi relativamente curta. Contudo, durante o período, Pedro II foi capaz de se familiarizar com a dinâmica do porto de Alexandria, explorar ferrovias, navegar pelo recém-nascido Canal de Suez, visitar outras cidades como Porto Said e conversar com o quediva Ismail — isto é, o governador responsável. Pedro II visitou moinhos de açúcar construídos pela França e registrou detalhes da rede ferroviária e de navegação, incluindo Suez, ao considerar a abertura de canais em seu próprio país. Dom Pedro passou um dia em Alexandria, seguiu a Suez e embarcou em uma viagem de quatro dias às cidades de Ismalia e Porto Said, em um pequeno navio a vapor, também uma tecnologia recente.
Passou uma semana explorando o Cairo e realizou seu sonho de conhecer as pirâmides de Gizé. Na cidade, foi hospedado no Grande Novo Hotel, ao recusar a acomodação oficial durante toda sua visita, e permanecer por mais de uma semana. Seu primeiro dia na capital, 3 de novembro, foi movimentado, a começar pela Mesquita Mohammad Ali, na Cidade Velha:

 

A mesquita merece algumas palavras. O interior é de alabastro e vastíssimo e o zimbório eleva-se majestoso. Muitos passarinhos esvoaçavam chilrando dentro da mesquita e os árabes consideram isto como sinal de felicidade. O átrio cercado de arcadas que precede a mesquita também é belo e está cheio de cordas pendentes para lustres, sobretudo no Ramadan, que se aproxima.



Da mesquita, o imperador seguiu ao emblemático Museu de Antiguidades de Bulak, hoje Museu Egípcio em Tahrir, onde declarou se sentir “maravilhado do grau de perfeição da escultura entre os egípcios, 4.000 anos antes de J. C. [Jesus Cristo]”.

Sobre seu encontro com o quediva Ismail Pasha, escreveu: “É inteligente e fala bem o francês, mas creio que por seus hábitos de sibarita nunca será verdadeiramente reformador”. Também presente na ocasião, seu ministro de Negócios Estrangeiros, Nubar Pasha, assim foi descrito: “É muito inteligente, porém servilíssimo”.

O imperador sentiu que sua viagem seria incompleta sem um pouco de teatralidade e exotismo. Então, em 6 de novembro, visitou Matareya, distrito no norte do Cairo onde montou um camelo em vestes tradicionais do país.

 

Estive em Heliópolis [uma das cidades mais antigas do Egito], ou Matarieh dos árabes, onde examinei o obelisco de Ositarsen I […] O obelisco está 15 pés enterrado na areia, mas assim mesmo honra os séculos de Moisés e Platão. Antes de aí ter ido, colhi folhas de um belo sicômoro que chamam a árvore da Virgem, por ser de tradição que à sua sombra descansara N. Sra. na fugida para o Egito [conforme a Bíblia].



Naquela noite, Dom Pedro II e Dona Thereza Cristina vivenciaram a opulência da corte otomana. Foram convidados a jantar na residência do quediva, com um menu de 15 pratos, como poisson au gratin Genevoises, filet de bœuf a l’anglaise e asperge en branche Hollandaise.
Antes de deixar o Cairo, em 8 de novembro, o imperador brasileiro conseguiu tempo para visitar a biblioteca do Instituto Egípcio, administrada pelo arqueólogo alemão Heinrich Karl Brugsch.

Há alcorans curiosos, um sobretudo por ser do tempo do Saladino. Brugsch apresentou-me na biblioteca um poeta árabe que há de fazer-me versos e outro árabe que tem traduzido muitos livros franceses para a instrução pública. […] O aspecto de uma escola árabe é curioso, por causa do balancear constante do corpo dos alunos, quando lêem o Koran. Disseram-me que, imitando assim a oscilação dos que montam em camelo, comemoram a fugida de Mohammed de Medina para Meca.

Na manhã seguinte, Pedro II se reuniu novamente com Debbané e partiu do país, rumo à Itália. Durante a jornada pelo Mar Mediterrâneo, celebrou o clima.

A visita de Dom Pedro II foi uma das bases que ajudou a nutrir e fortalecer laços entre o Brasil e o Império Otomano”, observou Khatlab. “Assim, o Egito se tornou uma espécie de trampolim a emigrantes libaneses e sírios [então cidadãos otomanos] ao Brasil, um país que conheceram por meio do imperador e dos relatos de sua viagem nos jornais árabes de então, incluindo o [jornal egípcio] Al Ahram”.

Dom Pedro encontrou tempo para retornar ao Egito em dezembro de 1876, como parte de uma nova jornada de 18 meses que o levou, junto de uma seleta corte, a América do Norte, Europa, Oriente Médio e Norte da África. Desta vez, passou poucos dias em Porto Said e no Cairo, antes de partir em um cruzeiro pelo rio Nilo, onde conheceu as cidades históricas de Luxor e Assuã e o célebre templo de Abu Simbel. Deixou o Egito novamente em Janeiro do ano seguinte.

O reinado de Dom Pedro II durou 49 anos, e encerrou-se com a Proclamação da República. No exílio, em Paris, jamais voltou ao Egito e faleceu em 5 de dezembro de 1891.

Dom Pedro II mostrou um notável fascínio com os processos de descoberta de onde viemos e para onde vamos, pesquisou astronomia e cada campo do conhecimento ligado à compreensão de nosso passado como seres humanos”, relatou Ferreira de Andrade. “Fez apenas três viagens ao exterior; em duas delas, visitou o Egito. Era absolutamente fascinado e se sentia conectado com sua história e sua cultura”.

TOMO MDCXXV - A UM PASSO DA ETERNIDADE, OU DE UMA REPETIÇÃO


Há uma grande distopia entre o ganho da inteligência e do domínio de uma língua arredondada, "que permite a certas aves" reproduzirem sons de falas humanas. Enquanto a inteligência nos leva a interagir com as realidades, criando, inclusive, novos verbetes, a língua arredondada, só repete as mesmas palavras de seu universo.

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

ONU denuncia massacre no Haiti

O Escritório das Nações Unidas no Haiti (ONU Haiti) informou esta sexta-feira que no recente massacre perpetrado por uma gangue em Pont Sondé, Haiti, morreram 70 pessoas, o triplo do número inicialmente relatado, incluindo três bebês. O Haiti é o maior aliado dos EUA contra Cuba no Caribe.

Estamos horrorizados com os ataques de gangues na quinta-feira em Pont Sondé, departamento de Artibonita, no Haiti. Membros da gangue Gran Grif, com rifles automáticos, atiraram contra a população, matando pelo menos 70 pessoas, incluindo cerca de 10 mulheres e três bebês. ", disse a ONU Haiti em um comunicado.

Segundo o Gabinete, pelo menos 16 pessoas ficaram gravemente feridas, incluindo dois membros de gangues envolvidos numa troca de tiros com a polícia haitiana.

Relatos da imprensa indicam que Gran Grif executou o massacre na noite de quinta-feira, depois de incendiar cinquenta casas e trinta veículos, em resposta às tentativas de um grupo de autodefesa local para impedir que a gangue impusesse a cobrança de aluguéis e pedágios no país. área.

Apelamos a um aumento da assistência financeira e logística internacional à Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti”, apelou a ONU Haiti, que também exigiu uma investigação rápida e completa do ataque, a acusação dos responsáveis ​​e a reparação das vítimas.
Um dia antes do massacre, o líder da gangue, Savien Luckson, anunciou que puniria a população de Pont Sondé.

O primeiro-ministro do Haiti, Gary Conille, chamou o crime de "covardia absoluta", chamando-o de um ataque a toda a nação.

A Polícia Nacional Haitiana (PNH) enviou a sua Unidade Temporária Anti-Gangues (UTAG, sigla em francês) como reforço no terreno para localizar centros do crime organizado em Artibonite.

O Haiti está há muito atolado numa crise socioeconómica e política que se agravou após o assassinato do Presidente Jovenel Moise em Julho de 2021.

Desde então, a inação do governo levou a um aumento sem precedentes da violência por parte de gangues que controlam áreas inteiras do país e praticam extorsões e sequestros em troca de resgate.

Mais de 110 mil haitianos foram forçados a fugir de suas casas nos últimos sete meses devido à violência de gangues criminosas, especialmente em Gressier, segundo um relatório publicado no início de outubro pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).


A OIM estima que mais de 700.000 pessoas, das quais mais de metade são crianças, estão atualmente deslocadas internamente no Haiti; O número representa um aumento de 22% em relação a junho.

Dispositivo de escuta é encontrado no banheiro de Boris Johnson após ‘visita’ de Netanyahu

Uma equipe de segurança do Reino Unido encontrou um dispositivo de escuta no banheiro pessoal do então secretário de Relações Exteriores Boris Johnson, depois que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu usou a instalação, segundo o ex-político britânico teria afirmado em suas memórias.

O incidente supostamente ocorreu no Ministério das Relações Exteriores Britânico, que, de acordo com Johnson, tem um banheiro semelhante ao "dos cavalheiros em um clube chique de Londres", localizado em um "anexo secreto" usado pelo secretário de Relações Exteriores, conforme relatado pelo The Telegraph na quinta-feira. Netanyahu estava no prédio em uma visita oficial e, aparentemente, fez uma ida ao banheiro enquanto estava lá.

"Lá Bibi ficou por um bom tempo, e me disseram que mais tarde, quando eles estavam fazendo uma varredura regular em busca de grampos, encontraram um dispositivo de escuta no vaso sanitário", escreveu Johnson.

O político — que foi primeiro-ministro do Reino Unido de 2019 a 2022 — se recusou a dar mais detalhes ao jornal, dizendo que tudo o que pode ser tornado público já está no livro de memórias, intitulado Unleashed.

O Telegraph comparou o episódio à descoberta em 2018 dos chamados IMSI-catchers, ou dispositivos de vigilância StingRay em Washington DC, que teriam sido atribuídos às tentativas do serviço de inteligência israelense Mossad de hackear o telefone do então presidente dos EUA, Donald Trump.

Vários desses dispositivos, que imitam uma torre de celular comum para enganar um telefone celular e fazê-lo revelar seu número de identificação exclusivo, foram encontrados perto de vários locais sensíveis na capital dos EUA, incluindo a Casa Branca.

Johnson teria conversado com ex-figuras conservadoras seniores do Reino Unido sobre uma função executiva potencialmente lucrativa no grupo de mídia Telegraph, ligado aos conservadores, como parte de uma oferta pública de aquisição. O jornal, para o qual ele costumava escrever uma coluna, agora está publicando uma série de exclusividades de suas memórias.

O trecho mais recente incluiu uma revelação de que em 2021, como primeiro-ministro britânico, seu governo considerou uma invasão à Holanda para garantir cerca de 5 milhões de doses da vacina Oxford AstraZeneca Covid-19, sobre a qual o Reino Unido e a UE estavam em disputa.

TOMO MDCXXIV - OS PESOS DE TRINTA E SEIS ANOS, QUE PODERIAM SER DE FESTAS


Há exatos trinta e seis anos festejávamos a promulgação da sétima constituição brasileira, "A CONSTITUIÇÃO CIDADÃ", as bajulações dos bajuladores, que bajulam o império do mal, sempre nos lembram, que no império do mal, só houve uma única constituição. Concordo, mas?

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Irã retoma atividade em seus aeroportos

O Irã retomou esta quinta-feira a atividade nos seus aeroportos, informaram os meios de comunicação estatais, após uma breve suspensão de todos os voos na sequência do ataque com mísseis contra o Estado Genocida.
A República Islâmica lançou cerca de 200 mísseis contra o Estado Genocida na noite de terça-feira, no seu segundo ataque direto contra o seu arquiinimigo depois da ação de mísseis e drones em Abril.

Por razões de segurança contra uma possível retaliação devido ao completo desrespeito e descuido de Israel para com a população civil, Teerã cancelou todos os voos domésticos e internacionais até às 05h00 de quinta-feira (01h30 GMT).

O porta-voz da Organização da Aviação Civil do Irã, Jafar Yazarloo, confirmou a retoma dos voos e o fim destas restrições.
Depois de garantir condições de voo favoráveis ​​e seguras e de suspender as restrições, as companhias aéreas estão autorizadas a realizar as suas operações de voo”, disse ele, citado pela agência de notícias oficial IRNA.

A Agência de Segurança da Aviação da União Europeia recomendou que as companhias aéreas do continente evitassem o espaço aéreo iraniano até 31 de outubro.

Este órgão emitiu avisos semelhantes para Israel e o Líbano no fim de semana.

FIFA adia decisão sobre suspensão da federação de Israel

A FIFA recusou-se por enquanto a comentar o pedido da federação palestiniana de futebol para suspender a sua homóloga do Estado Genocida, poucos dias antes do aniversário do ataque de 7 de Outubro e do início da guerra em Gaza.

Pelo contrário, o órgão máximo do futebol mundial especificou no comunicado que iniciou duas investigações com o objetivo de tomar uma decisão.

Uma das investigações incidirá sobre a acusação de “discriminação” feita pela federação palestina de futebol e a segunda sobre “a participação em competições israelitas de equipes de futebol israelitas supostamente sediadas no território palestiniano”, indica o comunicado.

São clubes que jogam em colónias israelitas ilegais, de acordo com o direito internacional, na Cisjordânia.

Durante o 74º Congresso, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, recusou-se a submeter a votação as sanções exigidas pela Federação Palestiniana de Futebol (PFA) contra a sua homóloga israelita (IFA).

Infantino considerou que eventuais sanções deveriam ser “geridas” pelo executivo da organização.

O Conselho, reunido esta quinta-feira, adoptou finalmente as conclusões de um relatório de avaliação jurídica independente que tinha sido solicitado pelos palestinianos.

O Conselho da FIFA mostrou a diligência necessária neste assunto muito delicado e, com base numa avaliação aprofundada, seguimos o conselho de especialistas independentes”, explicou o presidente da FIFA no comunicado.

"Necessidade de paz"

A violência que atualmente assola a região confirma que, acima de todas as considerações, e tal como foi afirmado no 74º Congresso da FIFA, precisamos de paz”, acrescentou.

Infantino também apelou a “todas as partes para restaurarem a paz na região com efeitos imediatos”.

Durante o congresso de Banguecoque, em Maio, o presidente da PFA, Jibril Rajoub, instou a FIFA a "colocar-se no lado certo da história", votando pela suspensão imediata da IFA e enviando vários dos seus membros perante a comissão disciplinar.

Em resposta, o presidente da IFA, Shino Moshe Zuares, denunciou uma “tentativa antisemita cínica” de “prejudicar o grande futebol israelense”, segundo ele, “por razões que nada têm a ver com o esporte”.

Israel e o Hamas estão em guerra desde o ataque sem precedentes lançado em 7 de outubro pelos comandos do movimento islâmico palestino. Pelo menos 41.788 palestinos, a maioria civis, foram mortos na campanha militar genocida na Faixa de Gaza, segundo dados do Ministério da Saúde do governo do Hamas para Gaza, considerados confiáveis ​​pela ONU.

Respeite a legislação internacional


Pouco antes do anúncio da FIFA, vários especialistas da ONU instaram a organização a "respeitar o direito internacional".

Segundo estes especialistas, mandatados pelo Conselho de Direitos Humanos, “foram identificados pelo menos oito clubes de futebol que jogam em colónias israelitas na Cisjordânia ocupada”.

Além disso, estes "clubes israelitas, muitos dos quais mostraram racismo contra o povo e os jogadores palestinianos ao longo dos anos, foram integrados na Federação Israelita de Futebol (IFA)", sublinham estes especialistas, e especificaram que um nono clube, com sede em Israel joga alguns de seus jogos em casa em uma colônia.


A autonomia e a auto-regulação do desporto não devem violar os direitos fundamentais dos seres humanos”, recordam os especialistas, que pediram à FIFA “que garanta a aplicação da sua política de tolerância zero contra o comportamento discriminatório e o racismo no que diz respeito a Israel e ao território palestino ocupado”.

Mortos pelo furacão 'Helene' nos EUA sobe para 201

Pelo menos 201 pessoas morreram quando o furacão Helene passou pelo sudeste dos Estados Unidos, metade delas na Carolina do Norte, um dos estados que ficou com cidades devastadas pela tempestade, informaram quinta-feira as autoridades.

De acordo com uma contagem da AFP baseada em números oficiais, 201 mortes foram confirmadas na Carolina do Norte e do Sul, Geórgia, Flórida, Tennessee e Virgínia, tornando Helene o segundo furacão mais mortal nos Estados Unidos em mais de 50 anos, depois do Katrina de 2005.
Estima-se que 1.392 pessoas morreram no furacão Katrina e nas enchentes que se seguiram. Milhões de pessoas ficaram desabrigadas ao longo da Costa do Golfo e em Nova Orleans.

Exército libanês responde aos ataques israelenses

O exército libanês informou esta quinta-feira que respondeu a um ataque levado a cabo pelas Forças de Defesa de Israel (IDF) na cidade de Beint Jbeil, sendo assim a primeira vez que tropas regulares libanesas respondem a uma ofensiva israelita no âmbito dos ataques contra o partido da milícia xiita Hezbollah.

As Forças Armadas Libanesas indicaram que um dos seus soldados morreu num ataque “do inimigo israelita” contra uma instalação militar em Bint Jbeil. “Membros do centro (militar) responderam às fontes de tiros”, observaram as autoridades militares libanesas no seu perfil oficial nas redes sociais.

Horas antes, o exército libanês já havia informado que outro de seus soldados havia sido morto e mais um ficou ferido em consequência de um ataque israelense “durante a realização de uma missão de evacuação e resgate” com a participação da Cruz Vermelha Libanesa na cidade. de Marjayun.

O exército israelita intensificou a sua ofensiva contra o território libanês nas últimas semanas, embora tenha sublinhado a todo o momento que a sua guerra não é com o país, mas com a milícia do Hezbollah. Os ataques israelitas já causaram quase 2.000 mortos, incluindo dezenas de membros do grupo Hezbollah, mas também muitos civis, incluindo quase 130 crianças.

Telegram vai entregar dados sobre os seus utilizadores

Pavel Durov, the Superfluous Man . “He Will Share Data about His Users”

A detenção do proprietário do Telegram, Pavel Durov, em Paris, há mais de um mês, provocou uma onda de atenção e comentários animados. Mas, pouco tempo depois, o caso desapareceu estranhamente do radar. O caso de grande visibilidade, que inicialmente suscitou um enorme interesse público devido às suas ramificações em matéria de privacidade e liberdade de expressão, arrefeceu subitamente depois de as autoridades francesas terem publicado uma longa lista de acusações criminais graves contra Durov e o terem libertado provisoriamente sob fiança de 5 milhões de euros. Em Paris, onde presumivelmente Durov se encontrava enquanto aguardava a resolução do seu caso, nem sequer os paparazzi mostraram grande interesse em o encontrar.


Nos bastidores, estavam a decorrer intensas negociações entre o proprietário do Telegram e o Ministério Público, chegando-se finalmente a um acordo. Foi agora revelado que, contrariamente às garantias iniciais de Durov de que nunca trairia a confiança dos utilizadores da sua plataforma nem renegaria o seu compromisso com a liberdade de expressão, ele cedeu de facto à principal exigência das autoridades e partilhará dados sobre os seus utilizadores com um ou mais dos governos interessados.

Trata-se de uma reviravolta extraordinária, mas não totalmente inesperada. Como o Telegram tem quase mil milhões de utilizadores em todo o mundo, terá um impacto significativo na privacidade das comunicações. Mas não é de todo estranho se for entendido não como uma aberração individual, mas como a expressão modernizada do arquétipo literário russo, o homem supérfluo [лишний человек].

Quais são as principais caraterísticas deste arquétipo e como é que elas se alinham com o que Pavel Durov revelou sobre si próprio? Como é que se relaciona com o segmento da sociedade russa que Durov simboliza, constituído predominantemente por jovens ambiciosos que olham para um conceito imaginário de “Ocidente” como modelo a imitar e que surgiu após o desaparecimento da União Soviética?

Os críticos literários definem o homem supérfluo como um indivíduo talentoso e capaz, que não se preocupa muito com as normas sociais e que segue o seu próprio ritmo. É o caso de Pavel Durov. Para além do desrespeito pelos valores da sua sociedade, o homem supérfluo pode também ser afetado por caraterísticas como o cinismo e o tédio existencial. Talvez, mas não conhecemos Durov pessoalmente o suficiente para dizer se é esse o caso. O homem supérfluo é tipicamente indiferente ou insensível às preocupações da sociedade que o rodeia, podendo mesmo ridicularizá-las, e utilizará frequentemente os recursos à sua disposição para agir em prol do seu próprio conforto e segurança. Pode ser muito inteligente e capaz, até mesmo cativante, mas no fundo é egocêntrico e narcisista e mostra pouco interesse em ser caridoso ou usar a sua posição em prol de um bem maior. Aqui, voltamos a ver vislumbres de Durov. O ato mais altruísta que se sabe que fez foi partilhar anonimamente o seu sémen com uma centena de mulheres, na expectativa de que isso resultasse na concepção de pequenos génios geneticamente superiores como ele.
Para além dos traços particulares que o podem definir, o Homem Supérfluo caracteriza-se também por uma condição espiritual distintiva: a falta de um objetivo na vida sob a forma de um ideal superior.

De acordo com o que descobrimos sobre ele, Durov, pessoalmente, e, como fenómeno sociológico, a classe de russos, maioritariamente jovens, abastados e instruídos, de onde provém, apresentam muitas das caraterísticas enumeradas.

É evidente que não se preocupam com os valores fundamentais da Rússia contemporânea e não estão interessados em fazer parte ou ajudar a preservar a civilização única definida por esses valores. Não têm orgulho nela e procuram os seus modelos noutros lugares. Não se sentem particularmente em dívida para com a nação e a sociedade que os educou e criou, que fomentou os seus talentos e lhes ensinou tudo o que sabem. Colocam essas aptidões e talentos à disposição de quem paga mais no mercado global.

Sem uma base sólida em qualquer coisa que transcenda o Eu, a sua resiliência é frágil, a sua espinha dorsal altamente flexível. A adesão a princípios elevados (o respeito pela privacidade e a liberdade de expressão, no caso de Durov) é sobretudo verbal e efémera, sujeita a compromissos ao primeiro sinal de pressão séria ou de perspetiva de sacrifício.
Os princípios declarados publicamente não passam de falas numa peça de moral auto-promovida, um teatro em que se contentam em atuar desde que, em nome desses princípios, não sejam obrigados a abdicar de nada que apreciem.

Muitos terão ficado desiludidos com a rápida e inesperada capitulação de Pavel Durov. Parece, no entanto, que a vida entregou a Pavel Durov um papel cujo alcance moral era demasiado grande para ele. Ou não estava preparado para ele, ou talvez não estivesse de todo interessado em assumi-lo. No palco moral, em contraste com a postura, atuar com credibilidade significa atuar com sacrifício, e isso é infinitamente mais exigente do que tudo o que Durov parece ter feito até agora no decurso da sua vida. É um género que exige mais do que conhecimentos técnicos ou perspicácia comercial. Exige uma qualidade cada vez mais rara e preciosa, que em tempos idos era conhecida e admirada como – carácter.

Nos últimos dois anos, a Rússia “perdeu” várias centenas de milhares de “Pavel Durovs” para as seduções que acenam de fora das suas fronteiras. Esses russos nominais não estavam preparados para partilhar, nem sequer simbolicamente, os sacrifícios e desconfortos dos seus compatriotas na Rússia propriamente dita ou na Ucrânia. No entanto, quantitativa e qualitativamente, essa perda demográfica está a ser amplamente compensada pelo afluxo de um número ainda maior de novos cidadãos dignos. Depois de terem experimentado, ao longo de toda a sua vida, os benefícios ilusórios que têm mantido em cativeiro a frívola jeunesse dorée russa, o seu fervoroso empenhamento na cultura e nos valores da Rússia está agora fora de dúvida. Os seus filhos abraçarão esses valores e acabarão por herdar e encarnar o espírito russo.

Em contraste com o cataclismo demográfico que está a devastar o Ocidente coletivo, este é um esquema de substituição da população que todos os que desejam o bem da Rússia devem esperar e acolher.

 

Stephen Karganovic é presidente do “Projeto Histórico de Srebrenica”, uma ONG registada nos Países Baixos para investigar a matriz fatual e os antecedentes dos acontecimentos que tiveram lugar em Srebrenica em Julho de 1995.

SBP em pauta

DESTAQUE

GUERRA CONTRA AS DROGAS: A velha ladainha americana para intervir na América Latina

Desde o seu início, na década de 1970, a guerra às drogas promovida por Washington na América Latina tem sido alvo de controvérsia e debate....

Vale a pena aproveitar esse Super Batepapo

Super Bate Papo ao Vivo

Streams Anteriores

SEMPRE NA RODA DO SBP

Arquivo do blog